Nos Açores: Espanhóis arrasam estaleiro açoriano
23 Julho 2009 [Regional]

Rui Melo afirmou ao Correio dos Açores que a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo não vai permitir que, nas obras da circular à Vila que estão a ser construídas pela empresa espanhola Ferrovial, se elimine linhas de água para colocar aterros sem efectuar o devido encaminhamento da água.
O autarca foi peremptório ao sublinhar que a Câmara a que preside não vai admitir igualmente que a Ferrovial adopte soluções para aterro que alterem o ordenamento paisagístico do concelho isso perante a hipótese colocada de fazerem um monte de proporções acima das permitidas pelo Plano de urbanização mesmo à entrada da Vila.
O Correio dos Açores tem informações de que a Câmara Municipal de Vila Franca pôs a Ferrovial em Tribunal por alegado abuso de confiança na posse administrativa de um terreno de 20 mil metros quadrados que a Ferrovial quer comprar por 400 mil euros e que a Caixa Geral de Depósitos avaliou em 2,5 milhões de euros. A instituição de crédito chegou mesmo a fazer a hipoteca do terreno por 1,5 milhões de euros para que a câmara construísse no local um complexo habitacional.
Rui Melo não quis confirmar a notícia, alegando que o processo está a seguir os seus trâmites no Tribunal Judicial de Vila Franca do Campo e que não é conveniente falar sobre ele.
Ora, neste terreno que era da Câmara, e de que a Ferrovial tomou posse administrativa, um dos rendeiros era o grupo empresarial açoriano de construção civil Couto e Couto que tinha no espaço o seu estaleiro principal. As duas empresas entraram em negociações par a transferência dos equipamentos para outro estaleiro da Couto e Couto mesmo em frente dos actuais mas não chegaram a acordo. Roberto Couto pediu então aos responsáveis da empresa espanhola que fossem eles a fazer a transferência. Em vez disso, a Ferrovial colocou lá uma máquina e arrasou o estaleiro destruindo todos os equipamentos perante a incredibilidade do empresário açoriano.
Roberto Couto não escondia ontem a sua indignação perante o jornalista do Correio dos Açores. Explica que este processo se prolonga desde Maio e que apresentou queixa no Tribunal contra a empresa espanhola. Ninguém podia esperar que os espanhóis viessem respeitar os açorianos e a nossa pequenez, afirma o empresário para depois levantar outra questão: Não acha estranho que há dois anos nos Açores, os espanhóis da Ferrovial ainda não tenham aprendido português e nós é que temos de saber espanhol? Esta é uma atitude de quem vem para dominar, conclui Roberto Couto.
O presidente da Câmara de Vila Franca não se quis pronunciar sobre este caso, referindo, contudo ao Correio dos Açores que lhe têm chegado várias queixas de residentes de Vila Franca de atitudes incorrectas dos espanhóis da Ferrovial, designadamente por terem entrados nos terrenos sem pagarem os valores acordados e não fecharem as propriedades como estava acordado. Atitudes que evidenciam abuso de confiança.
Por quase todos os lugares de São Miguel por onde passa a Ferrovial há protestos. Eles não respeitam ninguém e o Governo não controla a empresa, afirmam as nossas fontes de informação tendo por fundamento os inúmeros protestos.
Ainda anteontem à noite proprietários e rendeiros de terrenos agrícolas à entrada de Água de Pau reuniram-se na Casa da Povo da Vila para tomarem uma posição contra a intenção da Ferrovial de expropriar toda a zona (500 a 600 alqueires) com o objectivo de depositar aterros na ordem dos quatro milhões de metros cúbicos.
Os responsáveis espanhóis procuraram os proprietários na tentativa de um acordo para adquirir os terrenos mas ninguém quis vender, mesmo perante a ameaça de que iriam proceder à expropriação.
Todos os proprietários e rendeiros estão a formar uma força para impedirem que a Ferrovial prossiga com os seus intentos. Mas, pelos vistos, ninguém trava os espanhóis, a não ser
Autor: João Paz
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