Carlos César põe travão às empresas
17 Novembro 2009 [Regional]

O líder do PS/Açores, Carlos César, afirmou domingo em Vila Franca do Campo, que a economia regional não suporta o excesso de oferta ou o excesso de empresas em alguns sectores.
Os nossos empresários e as suas organizações empresariais têm a primeira e mais importante responsabilidade de observar justamente o mercado e de observar as oportunidades da economia, completou o líder socialista açoriano nas Jornadas Parlamentares do PS.
Carlos César sublinhou que o governo socialista a que preside está a tomar e a preparar medidas para ajudar as empresas, em que se incluem de forma muito expressiva as empresas do sector da construção civil, mas também neste sector, e como já disse, nós não vamos inventar obras inúteis ou não prioritárias para justificar empresas e empregos que não têm sustentabilidade no próximo futuro.
Já não podemos construir casas quando já não há ninguém para as comprar. Nós não podemos vender um produto quando este produto já inundou o mercado, sublinhou.
Desafiou, a propósito, os empresários açorianos e, em particular, as suas organizações empresariais, a estarem preocupadas nesta observação e a compreender o que é uma oportunidade e o que já não é uma oportunidade e adaptarem-se aos actuais tempos e aos novos tempos..
Nesta parte final da sua intervenção, em que enumerou as medidas tomadas do governo com o intuito de fortalecer o tecido empresarial regional face à conjuntura de crise nacional e internacional, começou por se referir ao facto de ouvir alguns empresários dizerem que estas medidas beneficiaram muito a banca e pouco as empresas. Se beneficiaram a banca é porque beneficiaram as empresas. Ou seja, é porque aliviaram a dívida das empresas à banca. E com isso melhoraram a estrutura financeira e as disponibilidades financeiras das empresas.
César deixou claro que era justamente isso que era preciso fazer porque a maior parte das nossas empresas ou não tinham crédito ou tinham tido crédito a mais e não o podiam pagar. E essa foi uma intervenção da parte do governo que já salvou muitas empresas, que tem mantido muitas empresas e que dá a muitas empresas a possibilidade de, existindo com algum equilíbrio, poderem participar na actividade económica de forma competitiva e terem também maior sustentabilidade no futuro.
O presidente do PS acabou por referir que haverá sempre oportunidades, haverá sempre sectores a chamar novas actividades, a dar novos impulsos para que as empresas neles participem, a fazer criar novas empresas e a ancorar novos empregos.
Salientou que o governo a que preside enquanto líder socialista tem conseguido que os efeitos mais nefastos da crise económica e financeira internacional chegassem mais tarde aos Açores, que está a conseguir que estes efeitos sejam menos gravosos na Região do que têm sido noutras regiões do país e que vamos conseguir que a retoma se concretize mais rapidamente nos Açores do que no resto do país.
Resposta de Mário Fortuna, presidente da câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada
Só com retoma rápida da economia as empresas têm resultados positivos
Reagindo, a pedido do Correio dos Açores a estes avisos de César, o presidente da câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, afirmou que as declarações do presidente do governo são uma evidência. As empresas não devem investir em sectores onde não há procura e isso é evidente. Da mais maneira que é evidente que as medidas de apoio financeiro ajudaram a ajustar financeiramente a situação das empresas resolvendo um problema de curto prazo.
Fortuna refere que as empresas vivem num contexto específico e que a manutenção deste contexto tem muito a ver com as políticas públicas e a coordenação da actividade económica.
Recordou que, no final do ano passado, o contexto em que as empresas se moviam foi alterado subitamente e inesperadamente porque as políticas públicas não foram capazes de regular adequadamente os mercados financeiros e mantê-los em estabilidade.
As empresas foram, por consequência, surpreendidas com esta nova realidade e, salienta Mário Fortuna, compete, naturalmente, às autoridades, refazer o contexto e apoiar, no curto prazo, as empresas neste reequacionar de circunstâncias.
Sublinha que é preciso, também no médio e longo prazo, acompanhar naquilo que acontece no entretanto às empresas. Porque as empresas só se conseguem equilibrar se houver condições económicas para o efeito.
O que acontece neste momento é que as condições económicas estão degradados porque a procura agregada está degradada conforme reflectida nas quedas acentuadas do Produto Interno Bruto da maior parte dos países da Europa, incluindo Portugal.
Isto quer dizer também, opina o presidente da câmara do Comércio e Indústria, que a capacidade das empresas para cumprir com as suas obrigações financeiras vai depender da rapidez com que a actividade económica é retomada e a rapidez com que as empresas conseguem retomar resultados positivos. Porque só com resultados positivos é que é possível cumprir com obrigações financeiras.
O problema financeiro no ano passado transformou-se rapidamente num problema económica que só poderá ser debelado com a retoma de taxas de crescimento positivas significativas, concluiu Mário Fortuna.
Autor: João Paz
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