Recados com Amor: Maria Corisca
07 Fevereiro 2010 [Opinião]
Meus Queridos! Juro que não há pachorra para aguentar as birras do Engenheiro Sócrates. Foi a fita por causa da aprovação do orçamento para 2010; foi a fita da revogação da entrada em vigor do código contributivo; é agora a histeria acerca da alteração da Lei das Finanças Regionais oriunda da Madeira. Não sou apoiante nem adversária de João Jardim, mas acho que ele é coerente com a proposta que fez agora e que resulta dum compromisso eleitoral dele, quando se demitiu exactamente por causa da nova lei feita por Sócrates no início do seu reinado absoluto. Sócrates ameaçou demitir-se se a lei fosse aprovada e levou à boleia o ministro das Finanças que embarcou em alta velocidade no mesmo comboio. O berreiro foi de tal ordem que as campainhas vermelhas do mercado financeiro começaram logo a tocar, embora não seja de admirar tal facto, porque sempre que um burro espirra as agências financeiras sem rosto constipam-se e mandam cada espirro que deixam alguns países à beira de uma pneumonia aguda. É uma tristeza o que temos de passar com o mau humor do engº. Sócrates que ainda não percebeu que o reinado absoluto dele terminou… O espalhafato que Sócrates tem feito é miserável e tem posto de pantanas todo o país, com a complacência do acomodado e simplório Zé Povinho. Que falta faz o Bordalo Pinheiro… Cá para mim, o Engº quer é pirar-se rapidamente e está à procura do primeiro buraco para escapar… Afinal a situação do país é mesmo um desastre em grande escala e a “velha” salazarenta, como lhe chamou o Secretário de Estado Junqueiro, tinha razão quando dizia que a situação do país era mesmo muito grave… E o meu querido César meteu-se numa guerra que não era dos Açores nem dos açoreanos e por amor a Sócrates fica mal com os seus…
Ricos! Depois de tanto alarido por causa da Central de Camionagem e depois de ter colhido mais algumas informações, cheguei à conclusão que o projecto é puramente privado e nascerá num espaço que é privado. A senhora Câmara apenas estuda a proposta de utilização dos baixios para instalar a Central de Camionagem. São as muitas parcerias publico/privadas que fazem todas estas confusões. De qualquer maneira convém ver bem as acessibilidades ao local para evitar um quebra cabeças maior do que a manta de retalhos em que estão transformados os apeadeiros na Avenida Marginal.
E por confusões entre o público e o privado, não levo à paciência que o meu querido Presidente César - numa cerimónia para assinalar a distribuição de casas aos rendeiros que as vão pagar com as suas rendas e preparada a preceito com a intimação de toda a gente para estar presente para parecerem muitos e agradecerem em colectivo a dádiva do senhor -, dispara dizendo que quarenta daquelas casas tinham sido abusivamente inauguradas por uma Presidente de Câmara, sem ter nada a ver com o projecto que era privado. A este respeito a visada já deu a resposta… mas não resisto a lembrar que a cerimónia da entrega das chaves das casas arrendadas já era a terceira sobre o mesmo facto. Primeiro foi a assinatura do Protocolo com os bancos para a sua compra; o segundo foi a compra aos empreiteiros que eram os seus legítimos donos; e a terceira foi agora a entrega aos rendeiros que vão pagar a renda que foi estipulada… Para bom entendedor meia palavra basta.. e com tanto desdobramento mais parecia o milagre da multiplicação dos pães… Por vezes mais vale a pena estar calado…
Ricos! Contaram-me que a Eurodeputada Patrão Neves não esteve com meias palavras num colóquio com os lavradores e disparou logo dizendo que as quotas leiteiras eram passado porque iam mesmo acabar e a lavoura tinha que se preparar para os novos desafios. Isto chama-se uma mulher com eles no sítio, porque até agora todos têm tido medo de dizer a verdade e limitam-se a por panos quentes para aguentar a dor. Ricos aproveitem agora que os tomates, as alfaces e os nabos estão pela hora da morte e juntando isso com a necessidade de produzir beterraba para alimentar a nova indústria que o governo comprou, ponham os neurónios a mexer e relancem a agricultura porque a diversidade que a terra oferece tem sempre colocação no mercado… Bem sei que é mais cómodo pôr as vacas a pastar e à tarde recolher o leite e levá-lo ao posto, mas os tempos são de sacrifício para todos…
E por falar da nova indústria do governo, fui buscar as contas da SINAGA e pus-me com a minha sobrinha neta que percebe da poda, a analisa-las e concluí que o vendedor fez um grande negócio ao vender activo e passivo ao governo por oitocentos mil euros juntando depois o que ele arrecadou durante a sua administração… Há gente com muita sorte…
Ricos! O Jornal Diário mais antigo dos Açores fez 140 anos e está fresco que nem uma alface. Neste período de penúria em que quem fala verdade não almoça cá… os meus parabéns ao recatado Director Paulo Viveiros e ao irreverente Sub - Director Manuel Moniz e a quantos no Diário trabalham.
O Director do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio entregou-me a amável carta que lhe dirigiu o meu querido amigo Gustavo Moura e que abaixo transcrevo na íntegra com um repenicado beijinho para todos os distintos escritores e colaboradores da imprensa açoreana referidos na carta em apreço.
Meu Caro Amigo,
Com os mais amistosos cumprimentos, venho pedir ao meu Amigo o favor de transmitir à “Vossa colaboradora” Maria Corisca, o quanto me sensibilizou a sua amável referência ao meu 76º aniversário e à manifestação de amizade que os meus Companheiros em Rotary decidiram fazer nessa ocasião. Muito obrigado.
Aproveito a oportunidade para lembrar à “Vossa colaboradora” que não sou o decano dos jornalistas açorianos, título que me atribui e que muito me honra mas, na verdade, não me pertence.
Mais velhos em idade e em presença regular na imprensa açoriana são os Senhores Manuel Ferreira, cujos atributos me dispenso de recordar tão conhecidos são; Ermelindo Ávila, um dos mais distintos investigadores e escritores açorianos, actualmente ainda activo com uma crónica semanal no semanário picoense “O Dever” e Armando Freitas do Amaral, talvez o que ultimamente menos apareça nas colunas dos jornais, mas que durante muitos anos foi director do já desaparecido “Correio da Horta” e, depois, colaborador assíduo na imprensa do grupo central. São três personalidades que muito prezo, e com elas bastante tenho aprendido, que não devem ser esquecidas pela acção preponderante que exercem na imprensa açoriana e exemplo de dedicação aos valores açorianos que dão às novas gerações.
Renovando os meus agradecimentos à Maria Corisca, aceite um abraço amigo do Gustavo Moura.
Autor: Maria Corisca
Mais notícias da área Opinião
- LIBERALISMO - - SOCIAL - - DEMOCRACIA - - SOCIALISMO
- “CHICOS-ESPERTOS”
- Concorrência Musical e Festeira
- Centralidade atlântica
- Uma ilha cada vez mais insegura
- A EUROPA E A SUA PERDA DE IDENTIDADE
- A Ribeira Grande e o Turismo (IV)
- Cá por “casa” tudo mal!
- Prognósticos presidenciais
- Homenagem, para além do tempo… Para ti, MÁRIO,










