Director: Américo Natalino de Viveiros Director Adjunto: Santos Narciso
Escolha a cor do seu tema: Skin Vermelha Skin Verde Clara Skin Azul Skin Azul Bébé Skin Amarela

Gráfica Açoreana   Diario dos Açores   Atlantico Expresso   Associanissima

Arquivos
A A A

Opinião de António Lagarto: PHARPAS

07 Fevereiro 2010 [Opinião]

1. O presidente do PS-Açores anunciou a renovação do partido, acrescentando que os mais “velhos” devem dar lugar aos mais novos e assim contrariar alguma inércia. Acho bem.
Acontece porém, se a vista não me engana, que olhando para o interior deste PS, um dos mais “antigos” que ainda está no activo é o próprio Carlos César, que anda nestas andanças da política há 30 anos, aliás não se lhe conhece outra profissão, e que, pelos vistos e ouvistos, ainda quer lá ficar por mais alguns anos, quiçá para bater o record de Mota Amaral, que tanto criticou por se eternizar no poder.
A questão em aberto é a de saber se os açorianos acham que César é como o vinho do Porto, “quanto mais velho, melhor”, ou se é como o vinho de cheiro, “quanto mais velho, mais azedo”. Cá por mim, já sinto no ar um certo bafo quente d’azia.

2. E por falar em azedumes, quiçá para desviar as atenções da fraca adesão às urnas dos militantes que o reelegeram com apenas 36,5% dos votos para um novo mandato à frente do PS-Açores, César criou um fait-divers, acusando a líder do PSD-Açores de ter um discurso do tipo “Miss Universo”. Certamente que Berta Cabral não lhe irá responder à letra, desde logo porque tomou muito chá em menina. No entanto, mesmo sem a procuração de Berta Cabral, não resisto à tentação de dizer que César ultimamente está com um discurso do tipo “Mister Magoo”, o conhecido pitosga dos desenhos animados.
Entretanto, não se ficando por bocas caseiras, César aconselhou Jardim a poupar nas despesas correntes. É o chamado “conselho do nu ao mal vestido”. Sim, porque em matéria de despesismo e dívida pública César joga no mesmo campeonato de Jadim, por enquanto uns lugares atrás, com a diferença de que a Madeira tem hoje um rendimento per capita superior à média nacional, enquanto os Açores continuam nos lugares da cauda, a passo de caracol, rumo àquele objectivo. Esta é que é esta. Tudo o resto é ciumeira política e conversas da treta com laivos de xenofobismo inter-regional.

3. Segundo declarações da Secretária Regional do Trabalhos e Etc’s, a Região não está assim tão mal como parece em matéria de desemprego, acrescentando que na Europa comunitária estamos em 4º lugar, ao nível do Luxemburgo e da Holanda. Francamente, senhora Secretária! A senhora não sente um arrepio na espinhal medula ao comparar realidades que não são comparáveis? Eu sinto que Vossa Exa. sente. E sabe porquê? Pela simples razão que não são comparáveis os impactes do desemprego em economias tão distintas, designadamente quanto às suas capacidades de regeneração e recuperação em tempos de crise. É dos livros, senhora Secretária.

4. O presidente da República convocou o Conselho de Estado, desta vez para funcionar como uma “Junta Médica”, debruçada sobre os males do país, gravemente enfermo, designadamente de “partidocracia aguda”. No fim da reunião, para além de um comunicado lacónico, pouco se sabe sobre o diagnóstico de tão ilustres sábios-conselheiros.
Cá para mim, continuo a pensar que a principal doença do país é do foro psiquiátrico, ou seja, “tá tudo doido varrido” a necessitar de um internamento compulsivo urgente, de preferência em instalações protegidas por muros electrificados, não vá algum “doido” fugir, julgando que é Dom Sebastião, o salvador da pátria.

A última

Na sequência de um estudo caseiro de viabilidade económica, do tipo “pronto-a-vestir”, o Governo adquiriu 51% da SINAGA por 800 mil euros pagos ao proeminente-vendedor, ficando o Governo, proeminente comprador, nos braços com um passivo oculto e ocultado de alguns milhões, e também na companhia dos outros dois maiores accionistas, a RAR e a ALCANTRA, empresas açucareiras que dominam o mercado continental, e que se têm revelado “parceiros da onça” da Sinaga.
Entretanto, o Vice-Presidente do Governo, Sérgio Ávila, reputado “chic-expert” em reengenharias financeiras, promete que o Governo vai aumentar em 4 vezes a produção local de beterraba, das actuais 6,6 mil toneladas/ano para 22,8 mil toneladas, triplicando a área cultivada até 2013.
Segundo consta, para atingir este objectivo, estruturalmente inviável, o Governo vai encomendar umas novenas ao Senhor Santo Cristo dos Milagres a cargo de um conhecido padre sem paróquia. Assim sendo, a viabilidade da SINAGA passa a ser um acto de fé, esperança e caridade pública, também e principalmente.

Autor: António Lagarto

Versão de Impressão