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Parque urbano de Ponta Delgada : Parque Urbano

10 Agosto 2008 [Reportagem]

O Parque Urbano, será, dentro de um ano, o maior jardim construído de raiz na cidade de Ponta Delgada, desde o Jardim António Borges, em 1858.
Com características, dimensões e objectivos diferentes, este é, para a sua promotora, a uma obra histórica, dada a importância da sua dimensão ambiental, estética, funcional e educativa, para a cidade e para o concelho.
O novo jardim que nascerá a norte da 2ª Circular de Ponta Delgada, está em construção há já alguns meses, entre o Caminho da Levada e o Caminho do Pico do Funcho (zona de forte expansão urbanística, a Norte da cidade) e surge de uma vontade da Câmara Municipal de Ponta Delgada de pensar o futuro de Ponta Delgada, sob uma estratégia de desenvolvimento sustentável para o concelho, tendo por base o seu crescimento económico, urbanístico, demográfico e ambiental. No fundo trata-se de uma vontade de querer deixar algo às gerações vindouras. Um património que se escreve a verde, - não estivéssemos nós a falar de um projecto de qualidade e de promoção ambiental e que dará a ganhar a esta cidade, já tão cosmopolita, um pulmão.
O futuro jardim da cidade desenvolver-se-á por uma área extensa de cerca de 200 mil m2, que acabam por lhe conferir uma dimensão única e ímpar no panorama quer do concelho, quer da ilha, quer mesmo do arquipélago. Apesar de Ponta Delgada ter vindo a florescer e respirar através da remodelação e criação de alguns importantes jardins e zonas verdes, esta é uma obra que já se encontra orçada em cerca de 16 milhões de euros e que representa ser, à partida, o maior investimento municipal particular da autarquia liderada por Berta Cabral. Desde a aquisição de terrenos - no valor de 5 milhões euros -, passando pela construção de diversas infra-estruturas rodoviárias (que somam outros 2 milhões e no jardim propriamente dito, no valor de 4 milhões e 800 mil euros, este investimento demonstra ser já arrojado e suscita, na sua actual fase de construção, uma curiosidade tremenda a quem por ali passa e admira as manobras das mega máquinas que ali trabalham diariamente, sob o olhar atento das dezenas de funcionários que fazem, daquele futuro espaço, uma eleição.
O Parque da cidade terá circuitos de manutenção e de circulação pedonal em toda a sua extensão, e mais importante que tudo serão ali implantadas cerca de 53 espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas, que se traduzirão na plantação de cerca de 6000 unidades no seu perímetro, para além de estar ainda prevista a construção de um driving range (zona de treino de golfe), e respectiva Club House, que possibilitarão dinamizar e fomentar uma diferente funcionalidade que o parque só por si, não conseguiria proporcionar. Quanto a datas, as obras do parque de Ponta Delgada, foram contratualizadas na já longínqua data de 19 de Novembro de 2007 e, com tudo a decorrer dentro do previsto, estarão concluídas em 2009, por altura do Verão.

Introduzir qualidade no quotidiano dos micaelenses e visitantes da ilha

Da autoria do arquitecto Paisagista Sidónio Pardal, o projecto tem vindo a ser desenvolvido no âmbito duma parceria denominada de Público-Privada com a Empresa Municipal Acção P.D.L., E.M. e conta com parceiros considerados com experiência relevante neste tipo de equipamentos colectivos. Sidónio Pardal, concebeu igualmente o projecto do parque da cidade do Porto, mas considera que o Parque Urbano da maior cidade dos Açores será um novo valor para a cidade, na medida em que irá merecer a estima e a visita frequente dos seus habitantes, qualificando o seu quotidiano e induzindo a relações de confiança de integração social e de convívio.
Ponta Delgada assume assim uma obra integrada na Agenda 21 Local, um processo através do qual trabalha em parceria com os mais diversos sectores da comunidade na elaboração de acções que implementam a sustentabilidade ao nível local. Para a presidente Berta Cabral, a melhor definição passa por ser a de uma estratégia integrada e consistente, que procura o bem-estar social, melhorando a qualidade do ambiente e a pensar, sobretudo, nas gerações vindouras.
A presidente Berta Cabral justifica a criação deste novo pulmão para a cidade cujos destinos comanda há já sete anos, pelo nível de crescimento, sem precedentes, que esta tem vindo a conhecer, especialmente na sua área norte.
O espaço terá na sua composição uma Casa de Artes/Centro Cívico e Cultural; um Pavilhão Multiusos, com gimnodesportivo, um salão-multiusos e um centro de apoio a eventos; uma praça, diversas zonas de passeios e clareiras; uma grande alameda para a realização de eventos de animação, parque de estacionamento, lagos, tudo integrado num projecto feito à medida de outros parques de referência existentes em cidades como Londres ou Nova Iorque, mas, segundo a presidente, onde se destaca a simplicidade, numa simples mas sincera homenagem ao que intitula de património rural, numa aposta da recriação de silhuetas próprias locais, como sejam, por exemplo, os muros de pedra seca, meticulosamente concebidos pelas mãos de gente experiente na arte da técnica artesanal açoriana, num espaço que apela ao descanso e ao lazer, ou, simplesmente serve quem ali se quiser deslocar para participar nos eventos lúdicos, que ali acontecerão.
Ponta Delgada, uma cidade que apela aos sentidos e que tem vindo a privilegiar a recuperação de grandes áreas verdes, como sejam, por exemplo, a do Jardim António Borges (criado em 1858), cuja inauguração da sua reabilitação decorreu em Julho de 2005, - e que ainda se encontra em fase de classificação nacional, junto do IPPAR, Instituto Português do Património Arquitectónico, e de outro espaço imbuído de grande simbolismo para Ponta Delgada, o Largo Mártires da Pátria, que foi todo requalificado tendo sido retirado o estacionamento na zona -, o Jardim Sena Freitas e o Jardim Morgado Barbosa de São Vicente. Foram igualmente feitas intervenções de recuperação ambiental, com o ajardinamento da rotunda de São Gonçalo e junto ao Forte de São Brás. Nas zonas dos centros históricos e jardins das freguesias sob a alçada de Ponta Delgada, foram diversas as que já foram embelezadas, nomeadamente em Santo António, Fenais da Luz, Feteiras, Remédios e Ginetes, com a preocupação de que sem espaços verdes e lúdicos, que traduzam a história de todas e cada uma das nossas freguesias e lugares, não haverá desenvolvimento com qualidade de vida, referia Berta Cabral já em 2005, aquando da apresentação do projecto do Parque Urbano.

Autor: Ana Coelho

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