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A história de um processo : Antecedentes

19 Março 2009 [Opinião]


Para entendermos a razão que levou o jornalista Daniel do Rosário, nas páginas do Expresso de dia 29 de Outubro de 2005, a acusar-me de "ser amigo de terroristas" é necessário ter em conta que, a 29 de Junho do mesmo ano, o Provedor de Justiça Europeu tinha-me finalmente dado razão a tudo o que afirmei - contra o que tinha dito Daniel do Rosário - relativamente à ilegalidade das pescas espanholas em Portugal.
O Provedor de Justiça disse então duas coisas:
(1) Que a Comissão Europeia tinha tomado posições contraditórias, dando o dito pelo não dito, dizendo até certa altura que era ilegal a pesca espanhola nos Açores antes de 1 de Agosto de 2004 e depois invertendo essa posição e passando a dizer que era legal;
(2) Que a segunda posição da Comissão Europeia consistia num "erro legal" e num acto de "má administração" porque, efectivamente, as embarcações espanholas tinham estado a pescar ilegalmente nos Açores até 1 de Agosto de 2004 como, de resto, tinha sido a primeira posição da Comissão Europeia.
Na realidade, foi uma batalha que eu travei contra praticamente toda a imprensa nacional que perante as "fugas de informação", com base na Comissão Europeia primeiro e na confirmação pública mais tarde dessa posição, nunca tinha colocado a hipótese de ser este humilde deputado dos Açores que tinha razão no que dizia.
Convenhamos, no entanto, que tendo tido de enfrentar os insultos do então Ministro Sevinate Pinto e a oposição generalizada de quase todo o mundo (quero aqui vincar o apoio do então responsável pelas pescas no Governo Regional e o seu director regional, respectivamente Vasco Cordeiro e Marcelo Pamplona) só houve um jornalista, neste processo ou em qualquer outro, que foi ao ponto de me telefonar para me ameaçar, por ter tido o desplante de desmentir o que ele tinha escrito, e esse jornalista foi o Daniel do Rosário.
O Irangate do Expresso
No dia 28 de Outubro de 2005, às 15H55, a Frente Nacional, no seu blogue "Fórum Nacional", publica um comunicado, com um extenso anexo em francês, onde me acusa de ter amigos terroristas, referindo-se ao meu assistente britânico Firouz Mahvi.
O comunicado termina de forma extremamente elucidativa: "Vamos a ver se o semanário Expresso (...) e que sabemos de fonte segura já estar na posse de todas estas informações, tem vontade de publicar esta notícia".
Sensivelmente à mesma hora do mesmo dia, quando eu estava para embarcar para Ponta Delgada (num dia em que apanhei quatro aviões, de Estrasburgo a Santa Maria), recebo um telefonema da minha assistente que me informa que o jornalista Daniel do Rosário tem a máxima urgência em falar comigo.
Estabelecida a conversação telefónica, sou crivado por uma série de perguntas sobre o Firouz Mahvi e a resistência iraniana que seriam publicadas no dia seguinte nas páginas 1 e 4 do "Expresso".
Tendo interrompido a conversa por ter entretanto embarcado, liguei ao Daniel do Rosário assim que cheguei a Ponta Delgada, tendo ainda pedido à minha assistente que enviasse para ele uma série de documentação relativa à minha actuação sobre o Irão, o que ela fez já noite dentro (guardo ainda o registo do e-mail enviado).
E, na realidade, no dia seguinte, o Expresso, em artigo assinado por Daniel do Rosário, plagia o blogue do "Fórum Nacional" resumindo numa caixa o essencial do anexo em francês e juntando-lhe as minhas declarações do aeroporto em Lisboa.
Só descobri a existência do plágio meses mais tarde, altura em que enviei para o Ministério Público a documentação relevante, documentação que, de resto, enviaria também para o director do Expresso, sem que este alguma vez se tivesse dado ao trabalho de esclarecer a questão.
O Semanário Expresso, que já tinha identificado o "Fórum Nacional" como um movimento neo-fascista que preparava acções violentas, denuncia mais tarde as ligações deste movimento a financiamentos do regime iraniano e a utilização de notícias como as que foram feitas sobre mim como identificação de alvos de acções violentas.
Apesar disso, nunca o Expresso reconheceu a gravidade das acções a que deu cobertura nas suas páginas, nem o facto de ser o próprio Expresso que faz a denúncia mais certeira da notícia que o jornalista Daniel do Rosário plagiou nas suas páginas.

Ponta Delgada, 2009-03-13

PS Para nos podermos aperceber da qualidade e da ideologia de quem fez o artigo original do Expresso nada melhor do que lhe dar a palavra:
"Re: Eurodeputados: Quem são os terroristas afinal?! - Paulo Casaca
Pois é...e isto ainda não se fica por aqui pois na sequencia desse artigo inicial do Expresso, que despoletou este inquérito ,o jornalista que o assinou está a ser processado e julgado por um tribunal ,mais exactamente,foi ouvido pela policia de Oeiras noquadro de umprocessocrime intentado por esse Paulo Casaca...traidor á Europa á pátria e sobretudo ás gentes dos Açores que nele votaram(não foi de certeza parair lá para fora com milhares e milhares de euros de ordenado ,para defender os Iranianos no exilio e terroristas...e é APENAS isso que o ocupa no parlamento Europeu)!!!Pois esse corajoso jornalista(free-lance)assinou esse artigo feito por mim ,porque se assim não fosse esta história nunca seria publicada em Portugal!!E o que é mais engraçado é que antes da nossa intervenção ,nunca ninguem tinha dado por nada...nem os serviços secretos da CEE NEM NADA,só souberam que existia um terrorista a trabalhar(e bem pago 4000 euros por més)no interior do parlamento Europeu ,contratado por esse deputado socialista Açoreano...
Vamos ver como isto acaba...o mais certo é o jornalista ser condenado e ele e eu novamente inquietados pelo mossad...sim porque esse senhor tambem é muito amigo de Israel etc etc mas isso é outra historia que seguramente se seguirá na saga PAULO CASACA!!!!!"
Publicado por Mishima, 20/01/2007, 08h39 in
http://www.forumnacional.net/showthread.php?t=4518&highlight=casaca%20

Autor: Paulo Casaca

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