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Grandes diferenças de preços: Queijo, manteiga e leite dos Açores mais baratos em Lisboa

07 Junho 2009 [Reportagem]

Uma prospecção ao mercado feita pelo Correio dos Açores mostra que os queijos fabricados na Região podem ser adquiridos no mercado continental português, de Trás-os-Montes ao Algarve, - e em algumas situações mesmo sem sair de casa - a um preço mais baixo do que o praticado na ilha de São Miguel. O exemplo mais flagrante é o do queijo flamengo Terra Nostra, mas o mesmo sucede com o queijo de São Jorge certificado. Relevante também que nas lojas dos Açores em Lisboa os produtos são, quase todos, mais caros que nas grandes superfícies comerciais do país. Os números falam por si na Região e no Continente online.


Há queijo fabricado em São Miguel que é vendido mais barato em Lisboa e Porto do que em Ponta Delgada. Os números não mentem. O mais flagrante é o queijo flamengo (bola) Terra Nostra. Qualquer continental, em Portugal, pode adquirir o queijo da BELL Formagerie fabricado na Ribeira Grande, a 5.59 euros o quilo. E nem precisa sair de casa. Basta fazer a encomenda através das grandes superfícies comerciais Continente Online. Já em São Miguel, ilha onde o queijo é fabricado, o Terra Nostra não é adquirido a menos de 8.49 euros o quilo.
Relevante também é o facto de, em qualquer espaço comercial Continente, o consumidor pode adquirir o queijo a 5.59 euros o quilo. Mas, se for aos espaços comerciais açorianos no território continental, adquire-o a preços bem mais caros. No Espaço Açores adquire o mesmo queijo a 9.20 euros; e, na Loja Açores, só o compra a 9.45 euros.
Esta posição do queijo Terra Nostra no mercado português pode ser entendida sob o ponto de vista empresarial. No contrato com as grandes superfícies comerciais Continente, a BELL vende grandes quantidades de queijo. E, por uma questão de escala, o preço chega mais barato ao consumidor. A BELL pode também alegar que tem necessidade de baixar o preço face à forte concorrência do mesmo produto de outras marcas.

Açorianos prejudicados

Mas a verdade é que o consumidor açoriano está a ser fortemente prejudicado por esta postura comercial da empresa que ainda no final da semana passada inaugurou melhoramentos na sua fábrica da Ribeira Grande que representam uma duplicação da produção. Um investimento que ultrapassa os cinco milhões de euros com financiamento da União Europeia orientado para a agricultura açoriana e do próprio Orçamento da Região Autónoma, cujas receitas têm uma componente relevante dos impostos açorianos.
Em suma, o consumidor açoriano, para ter a fábrica da BELL a produzir queijo Terra Nostra na Ribeira Grande, está a corroborar (aceite ou não) com o facto de parte do dinheiro da União Europeia destinado aos Açores, (além da componente financeira regional) ser orientado para a ampliação da fábrica. Isso para, depois, adquirir o queijo em Ponta Delgada, no mínimo, a mais dois euros do que o consumidor no Continente português.
Nestas condições, chega-se à situação caricata de um residente em São Miguel que vá a Lisboa ou que tenha um amigo no Continente português que venha passar uns dias de férias ilha, sempre ter a hipótese de trazer ou pedir ao amigo que traga queijo Terra Nostra a 5.59 euros o quilo. Sempre são alguns euros que se pouca.
Em todo este contexto, outra informação relevante é o facto de, desde Novembro do ano passado, a BELL Formagerie ter baixado o preço do leite à produção em São Miguel em seis cêntimos (12 escudos) e esta redução do custo da matéria-prima não ter qualquer efeito prático no preço do queijo ao consumidor micaelense.
Se é verdade que, em termos comerciais, os produtos da BELL têm dificuldade de competir, com os mesmos ganhos de outrora, no mercado Continental português; a empresa de capitais estrangeiros tem muito que explicar sobre a sua postura face ao consumidor micaelense do queijo Terra Nostra. Até porque a sua postura no mercado nacional não tem paralelo em outras indústrias de lacticínios micaelenses com quota de mercado no país.

UNILEITE menos, mas também...

É o caso da UNILEITE que tem uma política de preços dos seus produtos equilibrada no espaço nacional embora, tendo custos inferiores na colocação do seu queijo em São Miguel, tenha preços muito idênticos em todo o espaço nacional. É o que acontece com o queijo flamengo (bola) Nova Açores. Alguns dos revendedores, em Ponta Delgada, estão a vender o queijo a 4.99 euros o quilo. Trata-se de uma remessa de queijo, como se pode verificar, que está sob a data limite de validade. Mas o facto é que também se encontra queijo Nova Açores à venda em Ponta Delgada a 7.99 euros. E, por este preço, o consumidor continental português pode adquirir o produto sem sair de casa através do Continente online. E se o lisboeta quiser adquirir o queijo flamengo açoriano mais barato do Continente português, pode fazê-lo na Loja Açores, onde está a 5.25 euros.
Mas também o queijo de São Jorge certificado é vendido nas grandes superfícies comerciais Continente em todo o espaço territorial português a menos um escudo do que no mercado de Ponta Delgada. E aqui os números também falam por si. Nos hipers Continente, o queijo de São Jorge é vendido a 10.49 euros o quilo quando no mercado de São Miguel está a 11.99 euros o quilo. Na Loja Açores, em Lisboa, o queijo de São Jorge está a 11.80 euros e, no Espaço Açores, na capital portuguesa, é vendido a 11.50 euros.
Assim, tal como acontece com o queijo Terra Nostra, também o queijo de São Jorge certificado é mais caro nos espaços comerciais açorianos em Lisboa a um preço mais caro que nas grandes superfícies comerciais Continente, uma política de preços que prejudica claramente a imagem comercial açoriana nos grandes centros de consumo em Portugal.
Também o queijo Pico, de qualidade, é mais caro em São Miguel do que no Continente português. Mas os preços são mais próximos uns dos outros. No mercado micaelense, este tipo de queijo está a ser vendido a preços entre os 11.99 e os 12.04 euros o quilo. No Continente online, é adquirido a 11.50 euros o quilo. Já no Espaço Açores está a ser vendido 11.65 euros o quilo e na Loja Açores a 11.55 euros o quilo.

Leite açoriano ao mesmo preço em Portugal

Ao longo do trabalho de investigação do Correio dos Açores foram constatados outros exemplos em que os preços dos produtos lácteos fabricados em São Miguel são mais caros em Ponta Delgada do que em Lisboa e Porto e mesmo na dimensão entre Trás-os-Montes e o Algarve.
Não deixa de ser relevante, por exemplo, que o leite UHT Terra Nostra, fabricado e embalado na Ribeira Grande, esteja a ser vendido a 49 cêntimos em São Miguel e em todo o espaço nacional através do Continente online. Mas, depois, só possa ser adquirido a 71 cêntimos no Espaço Açores e na Loja Açores em Lisboa.
Mas também o leite UHT Nova Açores, da UNILEITE, está a ser vendido em Ponta Delgada a preços entre os 60 e os 63 cêntimos, quando no Continente online está a 64 cêntimos o litro; no Espaço Açores, em Lisboa, está a 68 cêntimos o litro; e, na Loja Açores encontra-se a 70 cêntimos o litro. A atenuar esta postura comercial da união de cooperativas está o facto de vender o leite UNILEITE em Ponta Delgada a 49 cêntimos.
Relevante é que a UNILEITE baixou o preço do leite à produção desde Janeiro em quatro cêntimos o litro (menos dois cêntimos que a BELL e menos 1,5 cêntimos que a Insulac), e também não ter feito repercutir em toda a dimensão esta redução nos preços ao consumidor em São Miguel, seguindo a estratégia comercial das outras indústrias de lacticínios com sede na ilha.
Fica claro que, se as indústrias de lacticínios com sede em São Miguel têm razões para pedir uma intervenção governamental para detectar eventuais situações de dumping nos preços dos produtos lácteos em Portugal, não é menos verdade que terão de repensar a sua política de preços nos Açores por forma a evitar esta situação absurda de compensar a um micaelens

Autor: João Paz

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