Na lista dos lesados estão John Malkovich, Spielberg e Larry King : Madoff: o homem que tramou a América
01 Julho 2009 [Internacional]
150 anos de prisão é o desfecho para a maior fraude detectada na maior economia do mundo. A sua recente sentença, a uma pena de prisão de 150 anos, mostra que os Estados Unidos da América querem que crimes como os de Bernard Madoff não se repitam. Até porque o próprio assumiu em tribunal que «não há desculpa» para o que fez.
A decisão judicial anunciada na segunda-feira é uma derrota para a defesa do investidor, que chegou a pedir clemência e 12 anos de pena. Motivo? A sua idade avançada.
Uma opinião diferente da defendida por milhares de vítimas do seu esquema de fraude, que apelaram à falência pessoal do gestor, um dos nomes que saltaram para a ribalta com esta crise financeira. Ao ponto do seu esquema de fraude já ter sido tema inspirador para um jogo de telemóvel.
Mas nem tudo foi em vão: além de muitos bens confiscados, como a mansão e o iate de luxo, além das autoridades terem na mira os bens da sua mulher, já se recuperaram mais de mil milhões de dólares.
O que se sabe é que a fraude de Madoff colocou em cheque as instituições de supervisão dos Estados Unidos para que se responda a uma pergunta: como é que ninguém deu conta deste monumental golpe, que fragilizou ainda mais a maior economia do mundo?
O gestor, detido por alegada fraude de 50 mil milhões de dólares, falsificou a contabilidade da sociedade que detinha para esconder dos investidores as perdas massivas, segundo fonte ligada à liquidação da empresa. A fraude de Madoff consiste numa pirâmide de operações financeiras, em que o corretor utilizava o dinheiro investido por uns clientes para pagar aos outros, quando não existia qualquer lucro das operações.
A dimensão do seu golpe foi tão grande que até Portugal questionou até que ponto estava a ser afectado pelo esquema. O próprio ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, explicou que quem investe em fundos de risco tem de estar preparado para perder. A própria banca portuguesa quase ia sendo afectada, com alguma exposição indirecta do BES, no valor de 15 milhões de euros.
As vítimas do esquema foram, ainda assim, mais do que muitas. Até o Príncipe Carlos foi seduzido por Madoff.
Condenado a 150 anos
Bernard L. Madoff, responsável por um esquema de fraude que prejudicou milhares de investidores de Wall Street, foi condenado a 150 anos de prisão.
Após o juiz do tribunal distrital de Nova Iorque ter revelado a sentença, considerando os actos do investidor de «extrema maldade», ouviram-se aplausos vindos da sala de tribunal, onde Madoff enfrenta o seu destino.
Segundo a Bloomberg, antes da leitura da sentença no tribunal de Manhattan, Madoff afirmou que «não tem desculpa» para que o fez. «Como é possível desculpar a traição de milhares de investidores que confiaram em mim as poupanças de uma vida?»
Vestindo um fato escuro, e inclinado para a frente com as mãos apoiadas na mesa, Bernard Madoff disse que tentou desfazer o que tinha feito: «Quanto mais tentava, mais me enterrava». «Vivo atormentado, sabendo a dor e o sofrimento que causei».
Antes, o ex-gestor ouviu falar algumas das vítimas que ficaram arruinadas financeiramente; muitas tiveram de vender as suas casas e vivem agora de apoios do Estado. «Como pôde alguém fazer-nos isto? Como pode isto ser real? Nós não fizemos nada de errado...», disse Dominic Ambrosino, um polícia reformado, que admitiu ter de vender a casa.
A acusação pediu a pena máxima para o responsável e os advogados de Madoff consideraram que a sentença deveria ficar-se pelos 12 anos.
Um dos advogados de Bernard Madoff disse, após ouvir as declarações das vítimas, que a «vingança não é o objectivo da punição judicial».
Mas o juiz condenou-o à pena máxima, após ter apontado o facto de nem amigos nem a família de Madoff terem escrito ao tribunal lembrando as suas «boas acções» ou a sua personalidade.
Até a mulher de Madoff, Ruth, cuja implicação neste caso nunca ficou provada, emitiu um comunicado na segunda-feira distanciado-se do marido.
«Estou envergonhada. Como toda a gente, sinto-me traída e confusa. O homem que cometeu esta horrível fraude não é o homem que eu conheço há tantos anos». Ruth Madoff não esteve presente na leitura da sentença.
Vítimas autorizadas a forçarem a sua bancarrota
As vítimas da mega-fraude levada a cabo pelo gestor de fundos Bernard Madoff foram autorizadas, pelo juiz encarregue do caso, a forçarem a bancarrota do magnata, para poderem tentar reaver o seu dinheiro.
Esta decisão, de permitir a insolvência forçada do gestor, permitirá recorrer a todos os activos que o mesmo possua para tentar compensar os investidores que se viram prejudicados pela maior fraude financeira da história.
Apesar das objecções da Securities Exchange Commission (SEC), o regulador do mercado dos EUA, e dos administradores de insolvência da empresa Bernard Madoff Invetment Securities, o magistrado considera que deve ser dada autorização às vítimas para reclamarem inclusivamente os bens do gestor que não são provenientes da fraude cometida.
Recorde-se que Bernard Madoff foi detido a 11 de Dezembro, depois de ter admitido ter levado a cabo um esquema de Ponzi que levou à perda de 50 mil milhões de dólares (37 mil milhões de euros).
O gestor permaneceu três meses em liberdade, mediante uma caução de 10 milhões de dólares (cerca de 7 milhões de euros), mas acabou por declarar-se culpado de 11 delitos relacionados com fraude e lavagem de dinheiro, o que levou o juiz a decretar a sua prisão. No final do ano passado, a fortuna de Madoff estava avaliada em 823 milhões de dólares (620 milhões de euros), incluindo 22 milhões de dólares (16,5 milhões de euros) em propriedades, um iate avaliado em sete milhões de dólares (5,2 milhões de euros) e outro barco de 2,2 milhões de dólares (1,6 milhões de euros).
Príncipe Carlos também foi seduzido
O gestor de investimentos Bernard Madoff, famoso pela rentabilidade elevada que oferecia aos seus clientes e que recentemente veio a saber-se ser protagonista da maior fraude de sempre, tentou enganar o próprio príncipe Carlos de Inglaterra, mas sem sucesso.
Na lista das vítimas de fraude do empresário, que foi divulgada esta sexta-feira, além de muitos anónimos, estão expostas também muitas celebridades norte-americanas, diz a AFP.
Veja os famosos lesados por Madoff
Além disso, segundo o gestor de fundos, Harry Markopolos, Bernard Madoff tentou inclusive seduzir figuras da realeza europeia. No entanto, «o príncipe Carlos não fez qualquer investimento», acrescentou a mesma fonte, segundo a imprensa internacional.
Os actores de Hollywood Kevin Bacon e John Malkovich, o cantor, John Denver, e o apresentador de televisão da rede CNN, Larry King, são apenas alguns dos que fazem parte desta lista infinita, que conta com pelo menos 13.600 entradas, entre nomes de pessoas, empresas, ou instituições.
A lista de clientes de Madoff inclui ainda personalidades conhecidas como o famoso jogador de basebol do «Hall of Fame», Sandy Koufax, e o cineasta Steven Spielberg. O próprio senador norte-americano, Frank Lautenberg, de Nova Jersey e o dono do clube de basebol New York Mets, Fred Wilpon, também não escaparam.
Mas há mais. Os filhos de Madoff, o irmão e até a própria mulher caíram neste golpe de mega fraude protagonizada pelo empresário.
Entre as instituições lesadas estão ainda o UBS, o Bank of America, o Citigroup e o BNP Paribas.
Recorde-se que Bernard Madoff encontra-se actualmente em prisão domiciliária por suspeita de uma gigantesca fraude financeira de cerca de 50 mil milhões de dólares (37,2 mil milhões de euros).
Autor: Agência Financeira
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