Director: Américo Natalino de Viveiros Director Adjunto: Santos Narciso
Escolha a cor do seu tema: Skin Vermelha Skin Verde Clara Skin Azul Skin Azul Bébé Skin Amarela

Gráfica Açoreana   Diario dos Açores   Atlantico Expresso   Associanissima

Arquivos
A A A

Em ponta delgada: A Associação de Alzheimer dos Açores é uma mais valia social

16 Outubro 2009 [Sociedade]

A ALZA, precisa de sócios e Mecenas, para além de uma grande ajuda do Governo e Autarquias, pois a procura, por parte dos utentes, é muito superior à oferta e a realidade social, impõe a construção de um edifício de raíz, cujo esboço de projecto já existe, mas falta o terreno ...

É gratificante saber, que existem pessoas, que acima do seu bem estar e comodismo, se dedicam de corpo e alma, a ajudar aqueles, a quem a dávida, de uma vida prolongada foi traída, com a progressiva perda, do conhecimento de si próprios.
Infelizmente, a demência é uma característica dos doentes de alzheimer, cuja consequência, provoca a degeneração de algumas funções, como a memória, a concentração, o pensamento e, daí, a dificuldade da linguagem, alterando irreversìvelmente, a capacidade de realização das pessoas, no que respeita às suas actividades e cuidados diários habituais.
Apesar do reconhecimento da crescente incidência da doença, a partir dos sessenta anos, só em 1988, se deram os primeiros passos em Portugal, no sentido de se criar uma Instituição, que respondesse à necessidade de apoio, não só aos doentes, como aos seus cuidadores, sujeitos a um desgaste constante.
Nos Açores, com muitos casos de alzheimer diagnosticados, só por iniciativa de uma extraordinária mulher, Berta Cabral do Couto, rodeando-se de alguns amigos em 2006, são desenvolvidos esforços, com vista à criação de uma delegação da «Alzheimer Portugal» em S. Miguel.
Porém ao procurar apoio, junto da Direcção Regional de Segurança Social, encontrou eco, junto ao então Director Regional, Dr. Artur Martins,acabando por deixar a Instituição do Continente, formando-se a ALZA (Alzheimer Açores), uma IPSS, que completa 3 anos, a 18 de Outubro corrente.
Foi em memória de sua mãe, doente de alzheimer, que Berta Couto, decidiu prodigalizar a outros doentes, a qualidade de vida, que gostaria de ter dado a sua mãe, de forma a garantir a sua segurança, uma das maiores preocupações, relativas a estes doentes, bem como a estimulação cognitiva, que o convívio com outras pessoas e a ocupação com afazeres, ajudados por técnicos adquados, lhe proporcionariam.
Foi a expensas suas, que iniciou toda a dinâmica do processo, até ser apoiada pelo Governo. È pouco o que hoje existe, mas já funciona o Centro de Dia. As suas ambições, vão muito além, da actual capacidade das instalações, para apenas 12 utentes, com 9 trabalhadores, entre técni cas, cuidadoras e estagiárias.
A Alza possui uma carrinha de 9 lugares, apropriada ao transporte e passeios dos utentes, que permanecem no Centro, das 10 às 16 horas, onde tomam 3 refeições diárias. Os doentes são ocupados de diversas formas estimulantes, quer com jogos técnicos, quer com actividades, mesmo as mais primárias, que vão desaparecendo das suas memórias.
A ALZA, precisa de sócios e Mecenas, para além de uma grande ajuda do Governo e Autarquias, pois a procura, por parte dos utentes, é muito superior à oferta e a realidade social, impõe a construção de um edifício de raíz, cujo esboço de projecto já existe, mas falta o terreno, com área apropropriada, na cidade ou sua periferia, bem como o dinheiro para a sua aquisição e construção.
É preciso dar resposta aos que precisam deste apoio e 12 utentes, são uma gota de água perante as necessidades. Para além disso, há que implementar novas valências, como a possibilidade de pernoita, temporária e vigiada, que permita aos seus cuidadores, umas férias, uma hospitalização ou em casos de doença, quem os substitua nos cuidados aos seus familiares doentes.
Tem sido espectacular o trabalho exercido pelas técnicas e trabalhadoras da Associação. Convidamos a população a visitar a ALZA, na Rua Frei Manuel nº. 20, Ponta Delgada e a observarem, o que se pode fazer, em prol destes doentes, com carinho e empenho técnico.
Se a doença é irreversível, os cuidados e a estimulação que os doentes experimentam, se não os curam, ajudam a atrazar a doença em muitos casos e confere-lhes, mais qualidade de vida e dignidade.
Ainda é muito incipiente a investigação sobre esta doença e até os medicamentos, que podem ajudar, demasiados caros para muitas famílias, mesmo o que pagam os utentes, dificilmente alguns podem pagar, no entanto, têm as mesmas necessidades.
A sociedade não pode alhear-se desta responsabilidade, pois é uma herança que não queremos, mas que infelizmente, não podemos ignorar.

* ( Vogal do Conselho Fiscal ALZA)

Autor: Fátima Ferreira de Almeida*

Versão de Impressão