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Serviços de Desenvolvimento Agrário preparam operação: Kiwi açoriano vai chegar a milhares de quintais da ilha

24 Janeiro 2010 [Reportagem]

Os estudos que o engenheiro Moniz da Ponte desenvolveu sobre o kiwi, levam a não ter dúvidas. As variedades de kiwi que existem na maior ilha dos Açores são uma permutação que aparece aqui e é um valor muito importante a preservar. Por outras palavras, existem espécies de Kiwi que, no espaço de aproximadamente 27 anos, se transformaram de forma a produzir grandes quantidades de fruta em clima temperado marítimo, apesar de se tratar de uma fruta subtropical. O senhor engenheiro, como é conhecimento entre alguns milhares de agricultores, assenta todas as suas culturas numa base biológica rigorosa. Não aceita as razões que levam à falta de incremento das produções biológicas na ilha de São Miguel. Sublinha que é preciso que os produtos apareçam para que haja consumo.

Kiwi, pêra abacate e manga são nomes de frutas subtropicais que se adaptaram às condições climatéricas de São Miguel e se apresentam com produções inimagináveis. Particularmente o Kiwi ganha foros de vedeta entre a fruta que se produz na ilha. O engenheiro Manuel Moniz da Ponte, técnico dos serviços de desenvolvimento agrário de São Miguel, é um grande dinamizador da diversificação agrícola. Os estudos que desenvolveu sobre o kiwi, levam a não ter dúvidas. As variedades de kiwi que existem na maior ilha dos Açores são uma permutação que aparece aqui e é um valor muito importante a preservar. Por outras palavras, existem espécies de Kiwi que, no espaço de aproximadamente 27 anos, se transformaram de forma a produzir grandes quantidades de fruta em clima temperado marítimo, apesar de se tratar de uma fruta subtropical.
Está provado que, por exemplo, se um micaelense adquirir uma árvore de kiwi no Norte do país, ela não vai produzir num ano nem em dois anos por ter outras exigências. Até porque, como diz o homem que é conhecido como o senhor engenheiro no meio agrícola micaelense, os kiwis não são todos iguais.
As árvores de frutos subtropicais já são visíveis nos quintais das Furnas e Nordeste (onde esta espécie de fruta tem grande potencial de desenvolvimento). E os serviços de desenvolvimento agrário de São Miguel preparam-se para massificar a produção do fruto por toda a ilha e pelos Açores. Levamos anos a estudar essas variedades e a multiplicá-las (já pesamos 130 quilos de fruta numa planta, o que é extraordinário) e, agora, vamos ceder milhares de plantas aos açorianos, afirma.
Quando o engenheiro Moniz da Ponte, como é conhecido, chegou nos anos 70 ao serviço de desenvolvimento agrário de São Miguel, as árvores de kiwi já plantadas despertou-lhe a curiosidade. Tentei reunir elementos que estavam dispersos sobre essas espécies. Tinha essa obrigação, porque estive muitos anos ligado a essa cultura em termos de observação, justifica o técnico.
Moniz da Ponte considera-se um homem de sorte pelas oportunidades que teve de formação profissional, a nível de actualização, além de estabelecer relações com Alcobaça que é o centro nacional, com a Madeira e com as outras ilhas dos Açores.
Está ciente que nada se faz se os fruticultores não tiverem vontade. E considera positivo que em São Miguel eles gostem muito de plantar.
Há uma geração, - a minha e a anterior -, sobre a qual não tenho dúvidas nenhumas que viveu muito no campo e que está familiarizada com toda essa agricultura, nomeadamente a fruticultura descreve.
Na geração actual, prossegue, já se nota que há alguns jovens que compram casa, têm quintais ou pequenas quintas, e já mostram uma apetência para plantar. Aí o técnico tem de ter a responsabilidade de ir ao encontro dos interesses das pessoas.
Está ciente que a diversificação agrícola é um chavão na agricultura. Considera que as vacas têm o seu papel e o seu enquadramento económico importantíssimo, mas é preciso não esquecer a outra vertente agrícola que são as pequenas culturas, nomeadamente a fruticultura, da qual o mel faz parte.
É na auto-suficiência, na recuperação dos quintais tradicionais e nas ervas aromáticas que eu me situo. Se bem que tenho mais a ver com as abelhas, que têm a ver com as melíferas e as melíferas são mel e as ervas aromáticas têm a ver com saúde, porque cada vez mais temos de ter uma alimentação melhor. É no conjunto dessas acções que eu me enquadro, tentando dar resposta às solicitações, sublinha
Os trabalhos mais importantes que fazemos aqui, independentemente do seu interesse económico, relacionam-se com a preservação do nosso património que herdamos do passado como é exemplo as nossas macieiras antigas, opina.

Manga Raposo, grande produtora

Foi em 1973 que se introduziu o Kiwi na ilha de São Miguel. O kiwi é original da China e foi até à Nova Zelândia, onde lhe deram o nome de um pássaro preto que não voa e tem um bico comprido que se chamava kiwi.
Esta árvore de fruta tem particularidades muito interessantes. Não tem doenças graves e é um fruto, praticamente, biológico. Para além disso, é um fruto muito rico em saúde, faz bem aos rins e à diabetes, explica Moniz da Ponte.
Outra das particularidades é que este fruto não se consegue produzir sem as abelhas. Há plantas masculinas para um lado e plantas femininas para outro e temos de as conhecer. Muitas pessoas vão comprar kiwis ao hiper que vêm com um lacinho cor-de-rosa ou azul. Depois, nada daquilo está certo. Acontece que, por vezes, as pessoas têm duas plantas femininas ou duas masculinas e é quando nós enxertamos. Em condições normais, (com planta macho e planta fêmea por perto), são as abelhas que fazem o transporte de pólen para a planta.
Moniz da Ponte tem procurado despertar, em vão, o interesse de outras ilhas pela plantação do Kiwi. Nunca houve ao nível das ilhas uma vontade para plantar kiwis, não sei porquê. Eu já mandei para o Pico e tem produzido muito bem lá, afirma.
Mas outras frutas subtropicais ganham dimensão na produção micaelense. É o caso de uma árvore de manga muito antiga, chamada manga raposo, que foi descoberta pelo engenheiro Sampaio e estivemos a recuperá-la e a divulgá-la. Essa manga está pela ilha de São Miguel toda e está bem adaptada à nossa Região, afirma.
Os abacates também têm sido plantados e temos dado às pessoas apenas uns conselhos técnicos de quais são as variedades e sobre o sistema de poda.
Já há pequenos produtores a produzirem muito bem estas frutas subtropicais e que têm transformado alguns frutos em compotas, porque é uma fonte de escoamento para o mercado, elucida o técnico.
O facto é que, apesar de o abacate produzir muito bem em São Miguel continuamos a importar abacates de fora, quando temos condições para uma produção suficiente para abastecer o mercado. Este ano, por exemplo, tivemos uma produção de abacates que foi uma coisa séria, com árvores a produzir mais de 100 e 200 quilos. É uma coisa brutal, refere Moniz da Ponte.
Os serviços de desenvolvimento agrário de São Miguel estão também a relançar o tomate arbóreo nas Furnas que tem um microclima muito especial. O que se produz, por exemplo, em Ponta Delgada, depois, é estendido às Furnas num prazo mais alargado, o que é importante para o comércio. As Furnas são um paraíso. É um privilégio trabalhar lá, afirma, a propósito, o técnico.
Os serviços estão também a recuperar a uva da serra é um alimento do Priôlo. A uva da serra é o nosso mirtilo que, antigamente, toda a gente queria e fazia compota e que entrava a preços caríssimos. Temos essa endémica que está a ser alvo de um estudo de recuperação, até pela própria SPEA porque é um alimento importante para o Priôlo, afirma.
E as Furnas têm também condições para a produção de camélias e macieiras por ser uma zona fria. A temperatura, a humidade e o vento e penso que o enxofre também dá um gosto especial às produções furnenses, informa.
A transformação de pastagens em redor da Lagoa das Furnas em pequenos núcleos florestais anima o engenheiro Moniz da Ponte. Mal pensava eu que a florestação iria ter um impacto tão grande em redor da Lago

Autor: João Paz

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