Opinião de Miguel Brilhante: “Licença para Matar”
05 Fevereiro 2010 [Opinião]
Mais uma vez, a vida social e política do país e da região foi abalada e invadida por estratégias e atitudes que em nada beneficiam a percepção sobre a política e a solidariedade pelas causas que, no seu todo, comprometem a interacção social e o nosso futuro e o das gerações futuras.
Em causa, o mais recente episódio de alegada perseguição de Sócrates e do seu governo a destacados profissionais da comunicação social nacional. A juntar, a última profanação da democracia e do fair-play político de César sobre a oposição, neste caso, a Berta Cabral, a sua mais temida rival política aquela que poderá abalar e destituir um Governo Regional cada vez mais marcado pela insegurança, pela prepotência, pela ocultação da verdade, pelo favoritismo e despesismo, pela perseguição e pelo desvio do real em seu benefício. A fechar a trilogia, a Lei das Finanças Regionais, o tema da actualidade, o facto que nos move e nos deve unir em prol do desenvolvimento de dois lugares insulares que em muito ainda são considerados pela República como anexos de uma casa degradada e insalubre que é o nosso país.
Deste quadro, resta-nos dizer que tanto Sócrates como César, seu fiel precursor, assinaram novos despachos. Despachos que se resumem a “licenças para matar”. Licenças que matam a liberdade de expressão, a verdade e a solidariedade insular.
Licença 1: Sócrates e Mário Crespo
Depois da novela da TVI, com José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, depois do ex-director do jornal diário Público, José Manuel Fernandes, e de alguns outros não tão mediáticos, eis que surge uma nova “licença para matar”. Mário Crespo, distinto profissional de comunicação social, actualmente jornalista na SIC Notícias.
O caso pouco tem a acrescentar. O que se retém é que Sócrates alegadamente está envolvido. Não tarda pronunciar-se-á com o seu velho e gasto costume de implorar piedade e de dizer-se vítima de uma realidade em que ele é o principal “arguido”. Nada lhe escapa, nada lhe é considerado e reconsiderado fruto de vida a quem lhe desmascara. O problema é que estas situações prosseguem e as licenças para matar continuam a ser contabilizadas num país que nunca mais voltou a ter a genuidade que dantes nos caracterizava.
Será que ainda há alguém que considera que o Primeiro-Ministro não está envolvido em perseguições a pessoas que nomeiam a verdade e a justiça como valores da humanidade? Infelizmente há. Os seus precursores e bajuladores.
Licença 2: César e Berta Cabral
Carlos César não está no seu melhor. Admitimos que já esteve, mas a sua revolta em ter uma opositora capaz de dar um melhor rumo ao arquipélago assusta-o de morte. Resultado: emite licenças para matar. E mata tudo o que lhe aparece pela frente que esteja relacionado com Berta Cabral e com o PSD/Açores.
A última “proeza” foi ter acusado a presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada que inaugurar obras que nada têm a ver com município. Das duas uma: ou César entrou afincadamente na onda da provocação barata ou então anda a ser mal informado e orientado com quem lhe faz as pesquisas e lhe escreve os discursos. E a solução é tão simples. Basta ler o Diário da República, III série, de 14 de Junho de 2005 para ver afinal de quem vem o “descaramento”.
Esta infeliz atitude só vem revelar que a grande “licença para matar” emitida por César é a da Berta Cabral. O maior desejo de César, enquanto líder do PS Açores, é fazer com que Berta Cabral se afaste da liderança do PSD/Açores para lhe deixar caminho aberto para poder dizer que afinal não se pode candidatar a um novo mandato como Presidente do Governo e, assim, dar de mão beijada o trono rosa a um dos seus súbditos.
Porquê? Porque César não tem ninguém para assumir uma liderança do PS/Açores. E isso verificou-se nas últimas eleições do partido, a avaliar pelos cerca de 35% dos votantes. Até se pode depreender que estes 35% representam, imaginem, todos os socialistas que ocupam cargos no Governo e os aspirantes à anunciada renovação do partido e do elenco do Governo.
O mais grave é que César abusa das licenças para matar enquanto Presidente do Governo Regional, em pleno uso das suas funções, e não como Presidente do PS/Açores, o que não lhe fica nada bem, eticamente, se é que isso lhe diz alguma coisa.
Licença 3: Lei das Finanças Regionais
O assunto é sério e não deverá ser encarado como uma guerra partidária. Em causa está o financiamento das Regiões Autónomas por parte da República.
Contudo, o que se assiste é que, por Lisboa, Sócrates, contrariado, antecede as brincadeiras de Carnaval, e ameaça demitir-se caso se vá em frente com a proposta da revisão da Lei. Por cá, César, subscreve a novela e vai mais longe. Aconselha Jardim a “poupar”, quando, na verdade, não deve ter olhado para a gestão do seu Governo, a avaliar pelos despesismos que tardam a chegar a público.
O mais grave é que no meio deste contexto, infantil e premeditado, está a falta de solidariedade insular por parte do governo socialista dos Açores. Enquanto isso, nós, eleitores, assistimos ao ridículo papel daqueles que são, supostamente, os nossos governantes.
Caso para citar Alberto João Jardim à saída do Conselho de Estado: “Um bom Carnaval para todos!” porque máscaras já temos, pistolas também. Só faltam mesmo os “confetis” e as serpentinas…
Este é o meu desabafo. Serei “perseguido” pela minha liberdade de expressão? Eis a questão!
Autor: Miguel Brilhante
Mais notícias da área Opinião
- LIBERALISMO - - SOCIAL - - DEMOCRACIA - - SOCIALISMO
- “CHICOS-ESPERTOS”
- Concorrência Musical e Festeira
- Centralidade atlântica
- Uma ilha cada vez mais insegura
- A EUROPA E A SUA PERDA DE IDENTIDADE
- A Ribeira Grande e o Turismo (IV)
- Cá por “casa” tudo mal!
- Prognósticos presidenciais
- Homenagem, para além do tempo… Para ti, MÁRIO,




