Opinião de Valdemar Oliveira: SOLIDARIEDADE
07 Fevereiro 2010 [Opinião]
Hoje, como ontem, no nosso país, essa palavra, quase mágica, não faz parte do dicionário dos nossos governantes: isso porque aquilo que os políticos querem é governar à sua maneira defendendo, acima de tudo, as suas mordomias, enquanto que as oposições o que mais desejam é que os governos se tramem para que nas eleições seguintes possam ser governo.
Enfim, a política deste país gere-se pela luta constante entre oposições e governo, havendo, simplesmente, acordos só quando há conveniência partidária.
Mas se existe desculpa para este estado de coisas enquanto o país, mal ou bem, trilha caminhos de alguma calma social e económica não se percebe, de todo, que se digladiem na Assembleia da República quando o estado da nação requereria uma aliança firme entre todos para que o país saísse da crise em que infelizmente se encontra.
Bem sei que o Governo diz que a grande crise que ora se vive se deve não à sua incompetência governativa mas à grande crise internacional que assolou o planeta.
Mas será assim? A oposição diz que não, que o governo fez asneiras atrás de asneiras, gastando desnecessariamente somas astronómicas em algo que não trouxe qualquer retorno ao país.
De uma ou outra forma aquilo que assisto, preocupadamente, diga-se, é a uma constante luta do puxa para cá e para lá, do mal dizer, do levantamento de questões que atropelam tanta coisa séria, da suspeição e mal intenção com que a oposição e governo brindam os portugueses os quais aquilo que, certamente, mais desejariam seria o entendimento entre as partes para que pudéssemos fazer face a crise e ultrapassá-la. Porque numa aliança firme e honesta, pelo menos deixaríamos de ter a vergonha de assistir às guerras de mau gosto e ao lavar de roupa suja a que assistimos, quase todos os dias e a todas as horas, nos debates da A.R. e nos órgãos média deste país.
Outra coisa que se põe é a questão das competências e das resoluções que vêm dos governos na condução da sua política.
Sou da opinião que um governo que não reconhece o estado de graça do seu país, não é um bom governo pois agindo fora das necessidades reais da nação, trilhará, invariavelmente, caminhos que, não defendendo ou protegendo o país e a sua população, afectarão a terra que governam.
Os governos têm que primeiramente acreditar que o povo não é estúpido e que, por isso, tem a noção do estado das coisas porque as vive mais de perto no seu dia-a-dia; Os governos têm que de uma vez para sempre assumirem humildemente que não sabem tudo e que um determinado indivíduo, fora do contexto, por mais esperto que seja, nunca poderá tomar medidas políticas que vão directamente na direcção dos reais interesses do sector; assim como os governos têm que reparar que fora da esfera da sua influência há gente sabedora que poderia dar um melhor contributo ao país do que aqueles que, filiados e influentes no partido, têm que ser ministros, como compensação do esforço que fizeram para que o seu partido ganhasse as eleições.
Vamos a exemplos concretos:
Portugal é, sem dúvida nenhuma, o único país comunitário com aptidão e inserção atlântica, assim como é, por excelência, um país com aptidões naturais viradas para o mar e para o turismo de verão nas suas ricas praias. Para além disso somos um país agrícola, embora eu discorde dessa pressuposta aptidão natural que atribuímos a nós próprios.
Se repararmos durante todos estes longos anos de governação pós 25 de Abril, nunca tivemos um competente ministro na agricultura e nas pescas.
Poder-se-á perguntar porquê? Se somos pressupostamente agricultores e éramos pescadores para além de óptimos hospedeiros no turismo de praia e de golfe, porque razão nos fomos, cada vez mais, enterrando ano após ano? Enterramo-nos porque nenhum advogado ou gestor, por mais sabedor que seja, poderá gerir pastas tão complicadas como as que apontei atrás. Contudo, mesmo guardando a fidelidade partidária na atribuição dos cargos, desde quando, por exemplo o ministro da agricultura e pescas teve comités compostos por bons agricultores e bons pescadores, praticando a sua profissão nas imensas áreas que estes dois sectores têm no seu seio?
Há pescadores com formação intelectual e experiência de alto nível assim como agricultores com elevados cursos, todos eles tendo, ainda, a si aliada a experiência de como se consegue uma gestão perfeita ou quase perfeita dos recursos aos quais dedicam a sua vida. Algum governo, alguma vez tomou como aliados esses imprescindíveis parceiros para formularem Leis simples e eficazes em vez das asneiras que puseram em risco muitas vezes esses dedicados profissionais da pesca e da agricultura.
Que eu saiba nunca. Aquilo que sei é que os ministros que temos tido à frente dessas pastas, para além de incompetentes, afundaram, à revelia de quem de facto sabe da matéria, esses dois importantes sectores económicos de Portugal.
Quanto ao turismo é uma dor de alma olhar-se para aquilo que temos, para o ordenamento urbanístico das regiões mais atractivas e não fora algumas empresas que sabem da matéria, edificando lugares distintos e de bom gosto, aquilo que teríamos era uma selva de confusões, povoada por ignorantes, vivendo num caos de desorganização e mau senso.
Autor: Valdemar Oliveira




