Recados com amor: Maria Corisca
30 Abril 2012 [Regional]
Meus Queridos! A minha prima Felisberta, que está nos States respirou de alívio quando soube que afinal os pilotos da SATA já não fazem greve por altura das festas do Senhor Santo Cristo. Segundo ela, a empresa parece que chegou a acordo e vai restituir o corte salarial que foi feito aos pilotos, como tinha sido feito a todos os trabalhadores do sector público empresarial. Tenho muita consideração pelos pilotos, mas não levo à paciência que uns sejam filhos de Deus e outros filhos do diabo, isto é, uns porque tem grande poder de reivindicação são poupados ao sacrifício dos cortes salariais e os outros amolam-se com os cortes e não tugem nem mugem. Além disso, as passagens da SATA levam couro e cabelo a quem tem de viajar, e a empresa, que se saiba, não está a nadar em dinheiro como não está ninguém nesta altura. Juro também que ninguém consegue enxergar a razão porque numa altura de vacas magras é nomeado mais um administrador para a empresa, quando lá ficavam três ou quatro depois de ter saído a minha querida nova Secretária da Economia. Não se acredita que seja para dar qualquer jeito a um amigo, nem para dar emprego a um desempregado. O que dizem é que não se admiram se o novo administrador aparecer como candidato independente a deputado nas listas do PS pela Ilha do Corvo daqui a uns mesitos! Se for assim já se entende a nomeação…
Meus Queridos! Segui pela televisão as cerimónias do 25 de Abril na casa mãe da democracia que é a Assembleia da República. Gostei de ver os cravos vermelhos na lapela dos governantes coisa que me levou a interpretar como uma resposta a quantos acusaram o governo de querer liquidar Abril. Gostei de ouvir Paulo de Carvalho em sol a cantar “E depois do Adeus”. E bem podia ter cantado também “Os meninos à volta da fogueira…” Quanto aos discursos foram um resumo de tudo quanto se disse nos últimos meses, excepção feita ao que proferiu Cavaco Silva. O homem fez o laudo do que de positivo o país conseguiu nos últimos dez anos, passando uma certidão de aproveitamento com distinção dos anos do governo Socrático, deixando os socialistas epilépticos. Que Cavaco tenha dito o que disse, não vem mal ao mundo porque é verdade, mas o que faltou o presidente dizer é se o que se fez se podia fazer tudo… ou fez-se mais do que se podia fazer e deu o resultado que deu. Não se deu pela falta dos ausentes das cerimónias oficiais, uns porque iriam para lá dormir e outros porque os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. Por cá a Lagoa foi investida em cidade, mas notou-se a ausência do meu querido Presidente César na cerimónia oficial. Soube também que a propósito de Abril, muitos foram os apoios recebidos pelo belíssimo editorial que o meu querido Director fez sobre “Abril que fizeram de ti?”… Precisamos de quem pense… e isso tornou-se um bem escasso. E para terminar este recadinho lembrando Abril, digo como o poeta “o que faz falta… é dar poder à malta”…
Ricos! António José Seguro, pessoa que me merece simpatia, pelo ar polido e discreto como se apresenta e por resistir ao ninho de vespas alojado dentro do seu partido, esteve nos Açores para animar as hostes do PS e dar ânimo ao meu querido Vasco Cordeiro para o embate eleitoral. Juro que esperava ver uma sala maior e cheia no repasto que se realizou num dos hotéis In de Ponta Delgada e que serviu para juntar os militantes em convívio. Quanto às intervenções políticas esperava que César, como líder do partido socialista começasse a apresentar as propostas que o seu candidato a presidente do governo tem na manga para entusiasmar o eleitorado. Mas o que vi foi um César irritado, talvez mordido por algum mosquito brasileiro, repetindo os ataques do costume. Como mulher experiente que sou, porque já ando cá há alguns anos, digo que o que vi sabe a pouco… E o que mais gostei, foi da imagem que a televisão passou em que José Seguro perguntava entre vacas, apontando para uma... se aquela se estava a rir para ele, como Cavaco tinha visto e tinha afirmado… na última visita que fez aos Açores! Cavaco fazia humor com as vacas a sorrir, porque segundo disse na altura o povo ficou em casa e não foi ao seu encontro,… enquanto as vacas conviviam pacatamente com o Presidente…. Pelos vistos, passou-se agora o mesmo com Seguro… Foi pena!
Meus Queridos! E a propósito de gado, vai para aí uma tourada com a discussão sobre os apoios financeiros públicos à tauromaquia nos Açores, ou melhor dizendo na Terceira. Há uma petição pública a recolher assinaturas para pedir à Assembleia que proíba os apoios financeiros às touradas… petição essa liderada não sei se pelo partido dos animais que esta semana está muito activo nos Açores, ou se por outra organização civil amiga dos animais. O que sei, é que os deputados já foram antecipadamente amarrados aos cornos dos touros porque os promotores da dita petição alegam que eles têm o rabo entalado ao lóbi das touradas. Estou em pulgas para ver o desfecho desta brincadeira em tempo de eleições!... Só espero que alguém não seja vítima de umas valentes cornadas…
Ricos! Fiquei menente com a minha “influência política”. É que há tempos, e por mais do que uma vez, propus a implosão do mamarracho do hotel Casino. Até adiantava que seria um bom cartaz turístico, com “pacotes” turísticos vendidos a brasileiros de Santa Catarina (há agora a promessa de a SATA voar para lá) por módicos preços (subsidiados pelo povo açoriano), para que eles pudessem assistir a tamanho espectáculo. Não é que agora o meu rico deputado comunista Aníbal Pires vem defender esta ideia? Depois de lembrar a autoria da ideia genial repescada por Aníbal Pires, só espero ficar mais bem colocado do que ele no “barómetro” do Correio Económico, pois a minha proposta traz mais-valias económicas.
Ricos! Estive fora uns dias e depois de pôr a leitura da imprensa em dia, fiquei sem perceber aquele voto de protesto contra a decisão do Governo de Portugal aprovado na Assembleia da Região devido à suspensão dos subsídios de Natal e de férias. Ou melhor: não percebo o voto socialista, que é o mesmo que seja do Governo Regional. Explico porquê: Então como é? Não foi com base nos poderes e prerrogativas autonomistas que o governo do meu querido Presidente César decidiu aprovar a compensação salarial para os funcionários públicos que ganhassem mais de dois mil euros? Então por que razão agora o Governo Regional não faz o mesmo com os subsídios de férias e Natal aos funcionários públicos regionais em vez de andar a protestar contra a República? Será que os poderes que tinha há um ano e pouco foram revogados? Agora já não há autonomia? A minha prima Eufémia diz é que o pilim que o governo regional vai arrecadar dá muito jeito em tempo de vacas magras e por isso dá jeito bramir contra o governo central, transformando-o em bode expiatório para eleitor consumir…
Ricos: A justificação esfarrapada de Carlos César para a sua viagem ao Brasil já nem dá para rir…, porque o que está em causa é matéria de carácter. Em vez do rico ter falado em Berta Cabral devia, sim, apesar dos dezasseis anos que passaram já, ter pedido desculpa do que disse a Madruga da Costa aquando da sua viagem ao Brasil como presidente do Governo Regional. Assim seria de homem e eu estaria aqui nos meus recadinhos a render-me ao modo impoluto como exerceria a política, em vez de estar azeda por ver que ninguém tem coragem de assumir os erros e fazer mea culpa…
Ricos: A minha prima Silvina dos States contou-me que a Junta de Freguesia da minha Vila do concelho nortenho, fez uma homenagem à Congregação Criaditas dos Pobres. Elas saíram de Rabo de Peixe, pela calada… apanhando toda a gente de surpresa, mas com a intenção de evitar tributos por terem sido serventuárias anónimas andando de casa em casa dando o que tinham e fazendo quase o impossível para acudir aos que necessitavam e aos que abusavam às vezes da sua dação ao próximo. Elas entendem que trabalham para a ceara do Senhor e não para receber elogios pela sua acção e por isso foram-se discretamente. Por isso, a minha prima Silvina ficou estupefacta porque viu na internet que o programa de celebração da elevação a de Rabo de Peixe a vila fora inteiramente dedicada às Irmãs, com palestras, exposições, e nem faltou o nome de rua… A Silvina acha, e eu dou-lhe razão, que a ser feita uma homenagem às Criaditas, deveria ser a Paróquia do Bom Jesus a organizar religiosamente a dita cuja e não o poder laico e civil, misturando religião com política… Onde para a iniciativa dos crentes?




