Contrariando movimentos ecologistas: Federação das Pescas defendeu pesca de tubarões nos Açores
30 Abril 2012 [Regional]
A Federação das Pescas dos Açores defendeu ontem a manutenção da pesca de tintureira, uma das espécies de tubarão mais comum no mar da região, alegando que “não há nada que comprove” que as reservas estejam ameaçadas.
“Não concordamos que esteja ameaçado muito menos a tintureira. Não há nada que o comprove. Não abriremos mão desta pescaria pelo menos por enquanto. Terão que demonstrar mais alguns factos científicos e que digam que a espécie está ameaçada”, afirmou o presidente da Federação das Pescas, José António Fernandes, em declarações aos jornalistas.
O responsável falava no âmbito de uma reunião que a eurodeputada social-democrata Maria do Céu Patrão Neves promoveu com a Federação das Pescas e promotores da petição “Salvem os Tubarões”, que pretende alertar para o que consideram ser os níveis preocupantes de capturas de tintureira no mar dos Açores.
O Presidente da Federação disse “não concordar” com a petição em causa, mas afirmou “abertura para serem encontrados pontos de consenso e de entendimento”, mas “nunca abdicar da pescaria da tintureira, porque é um complemento aos pescadores que já se debatem com bastantes dificuldades”.
“Respeitamos a petição, mas discordamos que a tintureira esteja ameaçada. Vão ser feitos mais estudos e recolhida mais informação e há que demonstrar mais alguns fatos científicos e veremos”, frisou, acrescentando que todas as espécies que de alguma forma estão ameaças nos mares estão identificadas, têm quotas, proibições e restrições.
O presidente da Federação das Pescas salientou, no entanto, que “caso seja comprovado que um ‘stock’ esteja minimamente afectado” aquele organismo “está aberto em tentar um ponto de encontro tendo em vista a recuperação dos ‘stocks’”.
A eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves sublinhou a existência de “pequenos entendimentos” e referiu a criação de “uma quota para a pescaria da tintureira”, já que “asseguraria a sustentabilidade do recurso e satisfaria os pescadores porque poderiam continuar a pescar a espécie”.
“São alguns pequenos entendimentos que estamos a tentar construir tendo o realismo necessário para afirmar que não vamos conseguir uma posição conciliatória em relação a todos os aspectos hoje, mas se conseguirmos sair com alguns pontos em comum teremos dado um passo em frente”, sublinhou Maria do Céu Patrão Neves, lembrando que a pesca do tubarão “era no passado uma pescaria acessória”.
André Silveira, um dos primeiros subscritores da petição, sublinhou que “foi amplamente conseguido o objectivo de promover a discussão do problema” juntando vários intervenientes e sectores e ainda “levar a petição até à Assembleia Regional no sentido de serem encontrados pontos de entendimento”.
“Percebemos que isto intervém com as pescas, mas que se nada for feito num futuro próximo teremos problemas em relação aos ‘stocks’ destas espécies e que terão que ser implementadas medidas que sejam eficientes e eficazes em relação a isto”, defendeu.




