Nestlé da Lagoa promove segurança intensiva e assinala mil dias sem acidentes num exemplo para o país
04 Maio 2012 [Regional]
Quase três anos sem um único acidente foi o motivo da comemoração ontem na fábrica da Nestlé da Lagoa. Sempre com o compromisso da segurança no trabalho a fábrica que emprega 66 colaboradores inaugurou um cartaz com as fotografias dos filhos dos trabalhadores onde é visível o lema “zero acidentes por ti e por eles”. A fábrica que transforma anualmente 70 milhões de litros de leite é a primeira unidade fabril da marca no mercado português a atingir mil dias sem acidentes.
As políticas de segurança impostas pela empresa pretendem ir além do ambiente laboral e fazer com que os colaboradores transfiram a mentalidade de segurança para o dia-a-dia. A fábrica da Nestlé na Lagoa foi a única unidade fabril da multinacional no mercado português a conseguir alcançar os mil dias sem acidentes, um número que nas unidades fabris da Península Ibérica também é difícil de alcançar. Apenas algumas secções das fábricas o conseguem.
Ontem na fábrica da Lagoa foi dia de festa para os 66 trabalhadores que ajudam a fábrica a laborar 24 sobre 24 horas, todos os dias do ano. Para comemorar mil dias sem acidentes, a multinacional descerrou um cartaz onde foram colocadas fotografias dos filhos dos funcionários, com o lema “segurança: a tua primeira prioridade. Zero acidentes por ti e por eles”. Os funcionários foram depois convidados a escrever um compromisso de segurança no próprio cartaz.
Uma medida que Ana Gomes, directora de recursos humanos da Nestlé, revela ser “para a família, é mais do que um objectivo organizacional, mas mais um objectivo social para a família, daí esta motivação para que eles se preocupem em estar de saúde para poderem regressar a casa para cuidar da sua família e criar um ambiente familiar mais equilibrado”.
O facto de passarem mil dias sem ocorrer qualquer acidente é visto com satisfação pelo director técnico da região Ibérica da Nestlé, que também esteve presente nas comemorações, pois acrescentou que “as fábricas são sítios perigosos”.
Um número importante, mas que foi conseguido pelos colaboradores, “foram eles que se empenharam e interiorizaram a nossa política de higiene e segurança no trabalho, não só a leram como implementaram no seu dia-a-dia e isso para nós é gratificante”, ressalvou Ana Gomes.
A Nestlé aplica a metodologia Behavioural Based Safety (comportamentos baseados na segurança) em que os colaboradores são observados no dia-a-dia de trabalho e onde os actos inseguros são identificados para serem posteriormente corrigidos. Na fábrica da Lagoa foram feitas por ano 141 observações de segurança, o que representa quase duas observações por colaborador de forma a “envolve-lo” nas questões de segurança para poder mudar o comportamento.
Ana Gomes explica que a multinacional tem um lema de incutir no espírito dos colaboradores uma mentalidade de segurança, “não é só em termos de comportamento dentro e fora da fábrica, porque a segurança é importante para os postos de trabalho, para a sua vida e família. Achamos que isto é uma prática de todos os dias e assim vamos criando a nossa cultura de segurança cujo lema é “acidentes zero”.
Humberto Oliveira, director da fábrica, congratulou-se com os mil dias alcançados sem acidentes e disse estar “orgulhoso” pela equipa que o conseguiu e ter “confiança” que o número de dias sem acidentes vai aumentar.
Empenho de uma equipa
Com 66 trabalhadores, a fábrica da Nestlé da Lagoa transforma anualmente 70 milhões de litros de leite, produzindo 10 mil toneladas de leite em pó e manteiga. A fábrica tem vindo a aumentar o número de trabalhadores face às necessidades da produtividade e também à necessidade de renovação geracional. A equipa é maioritariamente jovem, o que ajuda a que novos hábitos de segurança sejam adquiridos com facilidade.
Ricardo Couto trabalha na fábrica desde o início do ano e dá como exemplo das regras de segurança as passadeiras amarelas estrategicamente colocadas em pontos fundamentais de ligação entre os vários edifícios da fábrica assim como o caminho limitado por uma linha amarela, que deve ser seguido até ser alcançada a passadeira. “Estas passadeiras podem parecer um exagero mas é um bom método para que não haja acidentes”, afirma.
Há 3 anos na Nestlé, Roberto Teves diz que quando entrou para a fábrica já estavam implementadas as regras de segurança por isso “foi fácil para mim seguir as regras”. Diz que inconscientemente leva muitas das medidas para casa e dá o exemplo “dos miúdos que chegam a casa e deixam a mochila em qualquer lado e agora chamo a atenção porque podem ficar num sítio que coloca em perigo a nossa passagem”, alerta.
Para Paula Condinho, que está há 7 meses na Nestlé, os mil dias sem acidentes são o resultado “do esforço de todos, graças a medidas que foram adoptadas aqui na fábrica”. Quanto a exemplos, realça a questão da higiene, que é uma medida sempre a ter em conta na fábrica e cada vez mais no seu dia-a-dia.
Rui Cabral há 15 anos que trabalha na Nestlé da Lagoa e diz que a diferença é grande “de antigamente para agora foi um grande feito da nossa equipa e da direcção e espero que se concretizem mais mil dias sem acidentes”. Rui Cabral afirma que agora há muito mais segurança e que quando um trabalhador tem necessidade de algo que em termos de segurança lhe facilite o trabalho “é-nos dado”.
Quanto a metodologias que levou da fábrica para casa, Rui Cabral destaca a reciclagem porque “como estamos habituados aqui damos um incentivo em casa” e a reciclagem passou a ser uma rotina do dia-a-dia, não só na fábrica mas também em casa.
Autor: Carla Dias




