Santa Clara: Outros desafios futuros
11 Maio 2012 [Desporto]
Com a equipa de futebol muito próxima de garantir a continuidade na II Liga, as atenções concentram-se noutros desafios.
Só uma conjugação de resultados com remota possibilidade em acontecer, colocará o clube de Ponta Delgada em penúltimo lugar, obrigando à descida caso se concretize a despromoção de dois clubes.
Refiro-me às hipóteses de o Santa Clara perder no campo da Naval, o União da Madeira perder, em casa, com o Portimonense, o Sporting da Covilhã ir vencer ao terreno do candidato à subida Moreirense e o Freamunde perder, no seu campo, com o Penafiel. Ficariam com 34 pontos União da Madeira, Sporting da Covilhã e Santa Clara. No mini campeonato entre as 3 equipas, os madeirenses somam 10 pontos, ficando em 13.º no final da II Liga; o Covilhã soma 4 pontos, sendo 14.º, classificando-se o Santa Clara em 15.º e penúltimo, com 3 pontos no conjunto de jogos com as outras duas equipas, O Freamunde seria o último.
Nas restantes hipóteses, o Santa Clara nunca ficará em penúltimo, nem em último.
Os dois pontos conquistados perante as duas melhores equipas do campeonato, foram fundamentais para suavizar a deslocação à Figueira da Foz. O treinador Luís Miguel colocou a equipa a jogar com as “armas” que dispõe. Duas boas exibições, um apoio que há muito não se via e um bom pronúncio para o futuro.
As atenções estão viradas para a constituição da equipa para a nova época, que continuará a ser treinada por Luís Miguel. Sabe-se que o médio Lourenço regressa ao Desportivo das Aves e a intenção baseia-se em não passar pelas aflições desta época. A reformulação do plantel deve ser abrangente em todos os sectores. O próximo campeonato será muito mais desgastante, com 42 jogos, mais difícil e competitivo, agravados com a presença das equipas “B” dos principais clubes portugueses.
Mas outros desafios se avizinham. Os clubes para participarem no campeonato de 2012/13, terão, por parte da Comissão Técnica de Estudos e Auditoria da Liga, um rigor redobrado. A análise aos orçamentos, a verificação da documentação, as certidões da Autoridade Tributária e Aduaneira (Fisco) e da Segurança Social e a certificação das eventuais dívidas aos atletas serão mais rigorosas e com outros pressupostos. Será uma batalha para todos os clubes. Não me admiro de alguns correrem sérios riscos de não terem condições de presença nas provas profissionais.
O Santa Clara vai sobrevivendo. Com a questão de o clube ser dirimido pelo processo movido pelo ex-atleta Pedro Figueiredo, envolvendo todos os credores, ficou a saber-se pelo presidente do clube e da SAD, Mário Batista, em declarações na televisão açoriana, que o passivo é de cerca de 6.4 milhões de euros. É muito dinheiro, para mais numa altura de aperto quase total.
Mas o descalabro começou com o acesso à I Liga, saldando-se em 2,9 milhões de euros em 2000, passando para assustadores 11,4 milhões de euros de passivo em 2004, atingindo em 2006 o alarmante número de 17, 2 milhões de euros. Só no período de 2000 a 2003, coincidente com a descida à II Liga e o regresso à I Liga, o prejuízo atingiu 8,9 milhões de euros. Realmente houve uma má gestão.
Contudo, seria dispensável a Mário Batista classificar de pessoas “sem carácter” o antigo presidente Paulino Pavão e o antigo presidente adjunto Luciano Melo. Se é verdade que têm responsabilidades, outros também têm-nas. Em 2003, num dos períodos mais negros da sua história, Luciano Melo evitou que o Santa Clara encerrasse.
O Santa Clara precisa de paz. Deixem esta administração e direcção conduzirem o clube como têm-no feito. Um clube insular, com esta dimensão, precisa de todos. As críticas construtivas serão bem vindas de todos os quadrantes. Há conflitos antigos quase insanáveis. Mas cada um deve respeitar o outro, evitando perdas de energia tão necessárias para outras lutas.
APOIAR O FUTSAL DO OPERÁRIO
Outro clube da ilha de S. Miguel em evidência é o Operário. A equipa de futebol de onze atingiu um honroso terceiro lugar na zona Centro da II Divisão, mas é no futsal que o clube tem-se destacado mais nesta época.
Estreante na I Divisão, terminou a fase regular em sexto lugar, garantindo a permanência. Um feito de enaltecer. Em 26 jogos conquistou 11 vitórias, 4 empates e perdeu 11 vezes.
Segue-se, sábado, às 18h00, na Lagoa, o primeiro jogo dos quartos-de-final. O adversário é o Modicus de Sandim, localidade de Vila Nova de Gaia. Foi terceiro classificado, com mais 14 pontos do que o Operário. O favoritismo é da equipa nortenha. Na fase regular empatou a 4 golos em S. Miguel e ganhou ao Operário, em casa, por 5-0. Mas nestes jogos a eliminar, tudo pode acontecer e as surpresas sucedem-se. Há que tirar vantagem do desgaste do Modicus na partida da final da Taça de Portugal, onde perdeu, por 2-1, com o Benfica.
Para atingir a meia-final, a equipa necessita de apoio. Se para desilusão dos verdadeiros micaelenses vimos muita gente a apoiar o Benfica e o Sporting quando jogaram em S. Miguel, agora é a altura destas pessoas se juntarem a uma equipa da sua terra. Veremos se isso acontece. Tenho pena de não poder lá estar, mas, mesmo longe, torcerei pelo êxito do Operário.
Autor: José Azevedo
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