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Clube União Micaelense: Histórico regressa à base

08 Junho 2012 [Desporto]

A equipa de futebol sénior do Clube União Micaelense está de regresso às provas regionais. Volta ao ponto de partida 18 anos volvidos.
Após 26 anos de jejum na conquista do título de campeão de S. Miguel, o União Micaelense, já no seu novo campo, ainda em solo estabilizado, fez a festa da subida à III divisão nacional. Estávamos na época de 1993/94.
Na temporada seguinte, iniciou a campanha nacional, com altos e baixos, culminada, agora, com uma descida que, para muitos, era esperada mais ano menos ano, devido à fragilidade económica que o clube, a exemplo de outros, vem evidenciando.


A estreia a nível nacional, na muito equilibrada Série “E”, dotada de atletas de grande valia, ficou assinalada pelo 15.º lugar final. O União Micaelense só não desceu porque na época seguinte (95/96) foi criada a Série Açores e ficou decidido em Assembleia Geral da FPF que as equipas açorianas colocadas em posição de descida, integrariam a nova série, a fim de fortalecerem o arranque de uma competição inovadora. Nem a contratação de Pauleta ao Angrense, em Dezembro de 1994, permitiu uma melhor classificação. A acção dos dirigentes do União Micaelense, nomeadamente de Luciano Melo, foi ao encontro daquele que se tornaria no melhor jogador açoriano de sempre. Desolado pela situação financeira do Angrense, que não cumpria com os pagamentos dos ordenados, Pauleta viu no regresso à ilha de S. Miguel a estabilidade que sempre procurou na carreira.

ESTREIA NA SÉRIE AÇORES

Na época de 1995/96 arrancou a Série Açores da III divisão nacional. O União Micaelense foi um dos seis clubes que transitou da Série “E” (mais Santa Clara, Operário, Lusitânia, Mira Mar e Angrense), independentemente de terem ou não ficado em lugares de descida. Desportivo de Vila Franca, Águia dos Arrifes, Barreiro e Sporting da Horta foram os outros clubes que compuseram a primeira série nacional com apenas equipas dos Açores.
Nas primeiras quatro edições, o clube, apostando sempre na subida, classificou-se em 2.º lugar. Até que em 1999/00, sob a batuta do treinador Joaquim Mendes, alcançou o 1.º lugar. Mas um obstáculo se lhe deparou. Não pôde subir directamente, porque não desceu nenhum dos três clubes açorianos inseridos na II “B”. Foi necessária realizar-se a “liguilha”, tão contestada, mas imposta pela Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), face ao limite de três equipas da nossa Região no campeonato secundário (hoje o número limite é de 6 equipas).
O Lusitânia, 16.º posicionado na zona Sul, entre 20 clubes, havia garantido a permanência, mas como equipa açoriana pior classificada, teve de sujeitar-se a disputar a “liguilha” (haveria de jogar as partidas de passagem por três vezes, tantas quantas foram realizadas em 17 anos de Série Açores, baixando, por esta via, em duas ocasiões - desceu com o União Micaelense em 1999/00 e com o Madalena em 2004/05 e garantindo a permanência em 2006/07 frente ao Angrense).
Em 7 de Junho de 2000, o União Micaelense empatou a 1 golo em Angra. Oito dias depois, no seu estádio, já dotado de relva natural (a inauguração foi a 31 de Agosto de 1997), ganhou por 3-2, após prolongamento, Foi das maiores festas da família “negra” da centenária colectividade de Ponta Delgada (cumpriu em Janeiro 101 anos), mesmo tratando-se de uma quarta-feira ao final da tarde.
A primeira passagem pela II divisão foi efémera. Trocou o treinador Joaquim Mendes por Isidro Beato, mas a recuperação encetada foi insuficiente para evitar a descida.

SOBE E DESCE

Em 2001/02 o União Micaelense voltou a classificar-se na primeira posição na Série Açores, subindo à II divisão. Isidro Beato iniciou um ciclo no clube com altos e baixos a todos os níveis.
Alcançou o 11.º lugar em 2002/03, para na época seguinte (03/04), registar o 3.º lugar na zona Sul, a 20 pontos do primeiro, o Olhanense, e a 16 do Barreirense, 2.º classificado. Foi a melhor classificação neste escalão.
Ainda com 20 clubes na II divisão “B”, o União Micaelense foi 12.º em 2004/05 e na temporada 2005/06 acabou a zona Sul em 10.º lugar, entre 16 clubes. Apesar da posição final, baixaram naquela época sete equipas, devido à redução da II divisão para 14 clubes por cada série.
De regresso à Série Açores, ainda ficou em 4.º lugar na temporada 2006/07 e em 2.º na época seguinte. Os problemas financeiros surgiram em maior força. O clube foi forçado a vender o complexo desportivo e passou a jogar em S. Roque, no “Jácome Correia” e na Fajã de Cima. Foi 8.º classificado em 2008/09 e só não desceu porque baixaram apenas duas equipas da Série Açores. Foi 7.º em 2009/10 e na época passada terminou em 6.º lugar.
No campeonato terminado a 19 de Maio, o União Micaelense foi penúltimo classificado. Foi um campeonato “sui generis” em matéria de descidas. Pela primeira vez desde que há Série Açores, desceram quatro equipas, devido às despromoções do Angrense e do Madalena. Também nas descidas da II divisão a situação é nova, porque só uma equipa açoriana tem baixado.

TAÇA DE PORTUGAL
PARA RECORDAR

Em resumo, esteve 13 anos na III divisão nacional, realizando 258 jogos, obtendo 119 vitórias, 65 empates e 74 derrotas, marcando 452 golos e sofrendo 319.
Na II divisão realizou 144 jogos em 5 anos, com 54 vitórias, 46 empates e 44 derrotas, apontando 156 golos e sofrendo 142. Um saldo que não envergonha. Até pelo contrário.
Na Taça de Portugal, o União Micaelense tem um historial de relevo. Efectuou 38 jogos, garantindo 11 vitórias, 5 empates e 22 derrotas.
O primeira feito aconteceu na época de 1961/62. Ganhou o torneio de apuramento à Taça de Portugal, derrotando o Atlético da Horta (4-1) e empatando a 2 golos com o Lusitânia. Como vencedor da área Açores, jogou com o Marítimo da Madeira dois jogos para apuramento do representante insular (uma situação em que algumas modalidades volta a estar em vigor, como o hóquei em patins e o futsal nos escalões de formação). Ganhou por 2-0 e perdeu por 2-1. O adversário nos quartos-de-final foi o Vitoria de Guimarães. Em Abril de 1962 perdeu um jogo por 2-1 e o outro por 8-1.
Nos moldes mais recentes da Taça de Portugal, o máximo que atingiu foi a 5.ª eliminatória. Na época de 2002/03 ganhou ao Casa Pia por 4-2, em casa, na 2.ª eliminatória, e na seguinte derrotou o Esposende por 3-0, também em Ponta Delgada. Na 4.ª eliminatória jogou no Pombal, empatando com o Sporting local a 3 golos no tempo regulamentar e passando no desempate por pontapés executados da marca de grande penalidade (5-4). O percurso terminou a seguir ao perder, em Coimbra, por 4-1, com a Académica, que militava na I divisão.
Em 2005/06 chegou à 4.ª eliminatória, sendo afastado pelo Estrela da Amadora (2-0).

NOVO CICLO

Fecha-se um ciclo a nível nacional num clube histórico dos Açores. Reabre-se outro a nível regional. Aliás, quem sabe, não se ter tratado de uma antecipação de um ano, sabendo-se que no final da próxima época 8 dos clubes da Série Açores da III divisão nacional passam para as competições regionais, devido à extinção daquele campeonato. E escrevo 8, porque consta na proposta das três Associações dos Açores a subida dos dois primeiros da Série Açores ao novo Campeonato Nacional de Seniores.
Facto consumado: o União Micaelense vai continuar com o futebol sénior, dando seguimento ao belíssimo trabalho desenvolvido nos escalões de formação. O exemplo destes últimos anos, com muita “prata da casa” na equipa principal, é o caminho a trilhar pela maioria. Acabaram-se os excessos. Todos terão de viver com menos e saber usar o que produzem. E as coisas não correram mal de todo para o clube.
Trata-se de um novo período e, por isso, vão regressar atletas que terminaram os estudos no Continente e que são do clube: são os casos de Carlos Estrela (chegou a fazer parte das selecções de formação da Associação de Futebol de Lisboa, quando jogava no Atlético, tendo, depois, passado pelo Sintrense e pelo Sacavenense), Miguel Resendes, Miguel Batista, Luís Ortiz e Manuel Batista. Continuam Bruno Andrade, Rui Melo, Rui Costa, João Vitor, Peixinho, Menina, Manuel Soares, Barroso e Marco Correia. São aquisições Rui Amaral (ex- Mira Mar), Valtinha e Raposeiro, ambos ex-Capelense, Luís Arruda regressa como treinador. Enfim, como deve ser encarado o futebol nas provas de ilha.

Autor: José Azevedo

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