Director: Américo Natalino de Viveiros Director Adjunto: Santos Narciso
Escolha a cor do seu tema: Skin Vermelha Skin Verde Clara Skin Azul Skin Azul Bébé Skin Amarela

Gráfica Açoreana   Diario dos Açores   Atlantico Expresso   Associanissima

Arquivos
A A A

REGRESSO AO PASSADO

11 Junho 2012 [Opinião]

OS feriados, mesmo os religiosos que tendem a desaparecer temporariamente, permitem-nos por certas vezes ocuparmos algumas horas do dia, com algumas leituras mais ligeiras, se é que existem leituras ligeiras, tal como se de um período de férias e de colocar a leitura em dia, se tratasse.
Mas nem sempre aquilo que nos propomos fazer é de facto aquilo que acabamos por realizar.
Na quinta-feira passada, o tal feriado em extinção temporária, fui surpreendido pela programação que se encontrava a ser tornada publica na rádio televisão dos Açores.
Para que não me falhe nada poderei dizer que me vi confrontado por volta das onze horas da manhã com um programa de nome “zoom África, RTP informação” em que me foi possível conhecer o que se passou, passava e iria passar nos diversos países africanos de expressão portuguesa.
Fiquei a saber variadíssimas “coisas” nomeadamente e a titulo de exemplo que em Cabo Verde houve seca e que os naturais ainda cavam os campos à mão e vivem em dificuldade, pelo menos os das imagens.
A seguir a esta “viagem” afro-portuguesa, pelo menos no seu passado, entrou-me directamente para a sala, o professor José Hermano Saraiva, não com um programa actualizado mas sim com algo bolorento, com sabor a bafio, e que me manteve estupefacto sem conseguir prestar atenção ao que pretendia ler.
Saído de cena o ilustre professor, deu lugar a um outro programa ainda mais bolorento e com cheiro à mais pura das naftalinas.
Infelizmente, parece que fiquei tão estupefacto que não consegui ver/ler o nome do programa em causa, surgiram a tomada de posse do prof Adriano Moreira, imagem a preto e branco em 1960 e num governo qualquer de Oliveira Salazar, seguiram-se as imagens da final de um torneio de “basquetebol” em que jogava o Benfica em 1970, uma homilia com D António Ribeiro datada de 1980, os resultados das eleições na Nicarágua em 1990 e o carnaval na madeira, em 2000, com o sempre em pé João Jardim e sem que se sonhasse ainda que o “buracão” estava a ser devidamente “construído” para que todos viéssemos em futuro a pagá-lo.
Finalmente apareceu um programa de desporto, que ao que me pareceu era de âmbito regional.
Do que aconteceu tirei, reflectindo profundamente (estas coisas deste género obrigam a que se façam reflexões profundas), algumas ilações.
A primeira foi de que estava a “viajar”, em sentido contrario ao dos ponteiros do relógio, através dos laterais da nova janela com que a RTP nacional quer que a RTP-Açores nos brinde.
Até consegui comparar o que tinha assistido com os antigo noticiários nacionais, de índole patriótico, do tempo do antigo regime que éramos obrigatórios a ver (a não se que chegássemos propositadamente atrasados) antes de se um qualquer filme num qualquer cinema nacional.
A segunda ilação permitiu-me concluir que alguém anda a gozar com os açorianos e ainda mais com os milhões que estes pagam anualmente para financiar a RTP, através da taxa com que nos brindam na factura da electricidade mensalmente, a qual tem tendência anual para crescer.
A terceira ilação é que a programação não melhorou, antes mesmo poderei afirmar que piorou (pelo menos pela amostra), embora em vez de um director a RTP--Açores tenha agora dois responsáveis: um director financeira e um de programas.
Não sei se são estas as designações correctas para estes especialistas, mas que eles são dois, isso eles são e que ganham, em vez de um ordenado bicudo, dois ordenados não sei se chorudos, também é possivelmente um facto.
E isto numa altura que a programação regional está cada vez mais colocada á janela a ver o João Ratão da santa ignorância e incompetência a passar. Espero que não haja casamento e que como na estória, o rato acabe no caldeirão.
Infelizmente na sexta-feira, dia em que escrevo, não me foi possível ficar em casa pois tinha exames e demais serviços a fazer.
Mas que senti uma enorme tentação de assistir ao programa da RTP-Açores, lá isso senti.
Aguardo agora o fim de semana, de modo extremamente ansioso, quase que nervoso de tanta expectativa,
Felizmente, por um lado, que não dependemos desta programação nacional na região para ver algum programa que nos agrade; infelizmente estamos a perder a nossa identidade açoriana, de gente que sabe o que quer e dá valor ao que faz e tirando o pobre período da janela, iremos de certo recusar o que nos querem impingir.
Só falta que em algum dia destes, os acontecimentos dos Açores e Madeira surjam no noticiário do Zoom África
Passos Coelho e os seus ministros e demais apoiantes parlamentares não sabem o que hão-de inventar mais para nos tentarem subjugar e minimizar, e como exemplo disso temos o que ocorre/eu com a RTP-Açores e a Universidade dos Açores, para além de outras e muitas situações que existem e poderão vir a existir.
Será que com estes novos “postos” directivos já se consegue assumir uma contabilidade de custos, que permita saber quanto custa na realidade a RTP-Açores ao erário público, ou será que estas nomeações foram apenas para fazer de conta que algo vai mudar… e não muda.
O futuro nos dirá, só que os açorianos mereciam mais respeito e melhor!

Autor: Rosa Nunes

Versão de Impressão