Proposta já foi entregue ao Governo açoriano: Universidade quer criar centro de investigação vocacionado para o envelhecimento
06 Julho 2012 [Regional]
“A proposta de criação deste centro de investigação já foi entregue ao Governo Regional, de quem esperamos algum apoio financeiro para avançar com o projecto”, afirmou Teresa Medeiros, à margem do I Congresso de Saúde do Adulto e do Idoso, que ontem começou em Ponta Delgada e termina amanhã.
A Universidade dos Açores pretende criar um centro de investigação internacional vocacionado para o envelhecimento e qualidade de vida, áreas cada vez mais importantes na instituição, revelou a pró-reitora Teresa Medeiros.
“A proposta de criação deste centro de investigação já foi entregue ao Governo Regional, de quem esperamos algum apoio financeiro para avançar com o projeto”, afirmou Teresa Medeiros, em declarações à Lusa à margem do I Congresso de Saúde do Adulto e do Idoso, que ontem começou em Ponta Delgada.
Teresa Medeiros salientou que os alunos seniores têm um peso crescente na Universidade dos Açores, que foi pioneira no país na abertura de cursos de Aprendizagem ao Longo da Vida.
“Em média, temos 300 alunos por ano, com idades entre 50 e 92 anos, que frequentam os cursos livres que temos abertos, abrangendo várias áreas do saber”, afirmou, acrescentando que estes cursos estão actualmente disponíveis nas ilhas de S. Miguel, Santa Maria e Terceira.
Teresa Medeiros referiu que a Aprendizagem ao Longo da Vida é um programa universitário baseado na investigação científica, destinado a estudantes séniores, uma faixa etária que se estima que abranja 100 milhões de pessoas na Europa em 2020.
“Costumamos classificar as pessoas pela idade, mas é preciso desconstruir os nossos processos mentais porque o desenvolvimento de cada pessoa nada tem a ver com a idade”, defendeu Teresa Medeiros, destacando a importância de um envelhecimento activo, com maior qualidade de vida.
O congresso, que decorre até amanhã, sábado na Universidade dos Açores, é organizado pelo Núcleo Técnico-Científico de Enfermagem de Saúde e do Idoso da Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada, tendo como tema ‘Longevidade com Qualidade - Compromisso(s) de Gerações’.
Para Sofia Duarte, directora regional da Saúde, é necessário mudar mentalidades e preparar cada vez melhor as pessoas para o envelhecimento, já que se prevê que, em 2050, 35 por cento da população portuguesa tenha 65 ou mais anos.
Segundo os censos de 2011, o país apresenta uma acentuado envelhecimento demográfico, que se traduz em 19,15% de população idosa portuguesa, uma realidade que poderá atingir níveis mais elevados no ano de 2050, em que se prevê 35,72% de população envelhecida, com uma esperança de vida de 81 anos, explicou Sofia Duarte.
A Directora Regional da Saúde frisou que estes números demonstram também um ganho em longevidade, o que se traduz em inevitáveis alterações no estilo de vida dos idosos, que acarretam necessariamente novos comportamentos, novas expectativas e novos valores, pois em situações de idade avançada existem pessoas condicionadas pela pobreza, incapacidade, doença ou isolamento.
Na intervenção que proferiu na abertura do congresso, Sofia Duarte defendeu que o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações, que se assinala em 2012, é uma oportunidade para reflectir e “mudar estilos de vida, comportamentos e valores”.
Por seu lado, a presidente da Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral, considerou que o segredo para uma velhice saudável está nas relações interpessoais, defendendo a conciliação dos cuidados de saúde com actividades de socialização e acções de solidariedade.
No entender de Berta Cabral, “não é por serem pessoas estatisticamente inactivas que nos autoriza a ignorar ou a prescindir do seu contributo para a criação de riqueza e de bem-estar. É precisamente por se tratar de pessoas que não devemos tomá-las apenas como um número, um custo ou em encargo”.
A autarca sustentou, por outro lado, que falar em envelhecimento activo e longevidade com qualidade, obriga a repensar o sistema de valores e os modelos de organização social, defendendo “uma nova geração de respostas sociais que afastem as formas tradicionais de intervenção” e que tenham “a capacidade para reagir aos estímulos e aos desafios que o futuro nos coloca”.




