Director: Américo Natalino de Viveiros Director Adjunto: Santos Narciso
Escolha a cor do seu tema: Skin Vermelha Skin Verde Clara Skin Azul Skin Azul Bébé Skin Amarela

Gráfica Açoreana   Diario dos Açores   Atlantico Expresso   Associanissima

Arquivos
A A A

Açoriano nas olimpíadas

31 Julho 2012 [Opinião]

Com grande euforia, num espectáculo de uma rara beleza e sob intensas medidas de segurança, a Rainha Isabel II abriu oficialmente os Jogos Olímpicos de Londres, marcados pela austeridade e pelo receio de atentados terroristas. Os ideais do Barão Pierre de Coubertin, ao idealizar as Olimpíadas da era moderna, iniciadas em Atenas, em 1896 vão passar por mais uma dura prova.
No lema das Olimpíadas, o mais importante é competir, tendo em vista evidenciar-se o valor da prática do desporto como um meio para a saúde e para a formação do carácter, bem como enfatizar-se os seus aspectos pedagógicos, no intuito de enaltecer os valores olímpicos.
Os Açores ainda não tiveram a dita de estarem representados nos Jogos Olímpicos, o que seria uma façanha que faz parte do sonho de qualquer atleta e em qualquer modalidade, pois o desporto é uma actividade nobre, tendo em vista orientar uma juventude saudável e sem vícios, sob a égide do companheirismo, amadorismo e respeito incondicional às regras. Regista-se com agrado que na representação olímpica canadiana existem 2 elementos de ascendência portuguesa um dos quais açoriano.
Não se pode dizer que não se trabalhou na Região em prol do desenvolvimento do desporto, pois estão à vista os equipamentos desportivos de qualidade, onde os nossos jovens têm a possibilidade de se integrar nas mais variadas actividades desportivas. Importa que se continue a garantir a estabilidade financeira e administrativa na área do desporto, pois reconhece-se que muita coisa funciona bem nesta área.
Há, no entanto que a necessidade de se identificar, claramente, as prioridades para promoção do desporto nos Açores, dando maior atenção e apoio, designadamente, às equipas femininas, pois até agora são menos apoiadas do que as masculinas, por trata-se de uma questão de justiça e equidade.
O muito que se faz nos Açores, no âmbito do desporto é fruto sobretudo do amadorismo dos dirigentes desportivos, que devem merecer um reconhecimento especial, pois são os “carolas” que dão muito de si, roubando muito tempo à família por amor à camisola e às modalidades que servem.
Mas nestes dias vamos viver intensamente o desenrolar dos jogos. No entanto, desde a criação daquele que é considerado o maior evento desportivo do mundo, já houve de tudo: manipulação de resultados, imposições políticas, exageros na utilização de tecnologias no treino, interesses obscuros de marcas de equipamentos desportivos, enfim, muitos dos valores ligados à origem dos Jogos Olímpicos foram com isto desrespeitados.
De acordo com o sonho do Barão Pierre de Coubertin, uma medalha de ouro representava simplesmente a vitória, sem interesse algum. Actualmente, representa muito mais: fama e dinheiro para o atleta, aumento nas acções da empresa de material desportivo que o patrocina, propaganda política ao país vitorioso e mais patrocínios para a federação da modalidade vencedora. Oxalá que nestes jogos de Londres, chegar ao alto do pódio, signifique enaltecer os valores do movimento olímpico, para bem da humanidade.

Autor: António Pedro Costa

Versão de Impressão