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Ponto da situação: Desleixos…

17 Agosto 2012 [Opinião]

Ambiente – Foi com alguma tristeza que assisti a uma opinião sincera, a primeira em alguns anos, de uma especialista na área do ambiente, quando esta se referiu ao estado das nossas lagoas. Numa entrevista em que coloca vários dedos em várias feridas, denunciou aquilo que todos nós já sabíamos, mas que nos faltava alguém da comunidade científica afirmar: para o que já se investiu, as nossas lagoas continuam em péssimo estado. Após 16 anos de governação e de milhões gastos (não investidos), as nossas lagoas estão a morrer. Ainda no verão passado, sob a desculpa esfarrapada de uma avaria numa máquina, assistimos a estado de autêntica “putrefacção” da Lagoa das Furnas e este ano temos a sorte de ter um Verão pouco quente, senão o cenário seria idêntico. Das entidades responsáveis, não temos qualquer resposta ou actividade. Fecharam para eleições. Já não vemos uma acção de Álamo Meneses há muito tempo. Sim, porque não levo a sério o anúncio de que o Governo Regional iria reanalisar a obra do Pocinho no Pico, porque como todos sabemos, este governante sempre foi ao encontro das pessoas e passado algum tempo, faz sempre à sua maneira. Da sua Secretaria, apenas o Director dos Assuntos do Mar comenta alguns assuntos, transformando crimes em situações simples de resolver. Além da “distracção” da não limpeza do ilhéu e respectiva zona envolvente, agora foi o roubo de pedra de uma zona classificada da ilha do Pico. Se não fosse a competência e a atenção do Presidente de Junta da Criação Velha, aquele roubo passaria impune. Para Frederico Cardigos é simples: aplica-se uma coima e devolve-se a pedra. Finalmente este Governo Regional está a provar do seu próprio veneno na área do ambiente. Durante os últimos quatro anos aniquilaram as Organizações Não Governamentais do Ambiente, reduzindo a sua acção e os seus apoios e agora não têm ninguém que zele pelo nosso património ambiental. Que saudades das opiniões das associações livres…

Falhas – Quando à pobreza se junta o desleixo, não há forma de dar a volta às situações aflitivas pelas quais passam os Açorianos e com toda a certeza, não serão os actuais governantes que irão conseguir dar a volta à situação. Temos uma taxa de desemprego histórica, volta a dança dos mestrados e pós-graduações (aliás todos os anos por esta altura é anunciado este programa de apoios como se fosse sempre uma novidade, apesar de no final só dar para alguns), temos 40% de desemprego jovem e por último, como se isto não bastasse, cobraram-nos em excesso a sobretaxa de 2011. Mais curioso é que do Governo do rectângulo nem uma palavra. Dos funcionários das finanças a resposta é que este é um problema político. Do Governo Regional… bem, do Governo Regional não me admira que Sérgio Ávila venha a dizer que bem avisou. É lamentável este grau de desprotecção que os Açorianos têm, causado pelo seu próprio governo. Não podemos esquecer que o Governo Regional sempre defendeu, que segundo a constituição, a receita desta sobretaxa deveria ficar na região. Portanto, mais uns milhões dão sempre jeito para… para pagar contas não dão porque empurraram-nas para depois de Outubro. Servem para pagar as asneiras nas obras que são inauguradas ao pontapé nesta altura. É que só a dragagem do porto da Horta, recentemente inaugurado, vai custar mais de 3 milhões de euros. Assim vamos nós.

P.S.1 – Deixem-no ir para a reforma. Então não é que o Presidente do Governo anda em campanha pelas nossas ruas? Ainda por cima a distribuir panfletos com a sua fotografia? Será esta a ética que apregoou aquando do anúncio da sua não recandidatura? Sinceramente começo a dar razão a alguns que me dizem que Carlos César não quer que Vasco Cordeiro ganhe as eleições. Este último precisava de dar um murro na mesa e impor as suas condições. Aquilo que Berta Cabral conseguiu nos últimos meses é exactamente o inverso que Vasco Cordeiro precisava de fazer: enquanto que a Presidente do Partido Social Democrata conseguiu arranjar uma equipa, Vasco Cordeiro precisava de se libertar “daquela” equipa.

P.S.2 – O Governo dos Açores esteve bem em optar por não extinguir as fundações que mereceram nota negativa da unidade técnica do Governo da República. Afinal, esta é uma das prerrogativas da nossa Autonomia: decidirmos sobre os nossos recursos. No entanto, não pode deixar de realizar uma auditoria regional sobre as fundações, IPSS, Santas Casas, Associações de Juventude, Instituições de Utilidade Pública e outras que tais para perceber o sorvedouro de dinheiro que são, em muitos casos com poucos resultados práticos e com um custo excessivamente alto face aos benefícios que apresentam.

Autor: Paulo do Nascimento Cabral

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