Manda quem paga ou paga quem manda?
17 Agosto 2012 [Opinião]
Ainda faltam dois meses para as eleições regionais e já estou cansado de ver a cara de alguns candidatos em outdoors, “gigantes”, que poluem as nossas paisagens. Ao que parece, a crise não chegou a alguns partidos endinheirados que podem dar-se ao luxo de “investir” somas avultadas na “democracia”.
Seria interessante, saber-se publicamente quanto custa cada outdoor... mas desconfio que os partidos em causa não têm “coragem” para tanto, refugiando-se no velho argumento de que tais interrogações são demagógicas e populistas.
A existência de tantos recursos afectos à campanha eleitoral (que oficialmente, ainda nem começou), levantam várias questões:
Será que a lei de financiamento do Estado aos partidos políticos não será demasiada “generosa” atendendo à situação económica do país?
Ou ainda (aí sim, bem mais grave), que interesses privados existem, dispostos a comparticipar tanta despesa?
Despesa que em rigor se deveria chamar “investimento” privado com vista a obtenção, futura, de dividendos (com origem pública)... simplificando, corrupção.
Toda esta situação não é feita às claras, mal parecia, tomando as mais diversas formas.
Por exemplo, já circulam carrinhas (devidamente caracterizadas e com megafones) a fazer campanha eleitoral. Carrinhas essas que não pertencem aos partidos, nem aos seus militantes. Pertencem sim a empresas... amigas dos partidos. Tanta amizade, dá para desconfiar...
Seria interessante, durante a campanha eleitoral, que se esclarecessem estas e outras dúvidas sobre o financiamento dos partidos políticos.
PS. Não venham com a “conversa” de que tem que ser assim, há alternativas. Aluga-se um carro durante os 15 dias da campanha (não fica muito caro) e assim não se fica a dever favores a ninguém.
Autor: Gonçalo Almiro Matos Costa




