Recados com amor: Maria Corisca
20 Agosto 2012 [Regional]
Meus Queridos! No dia da Senhora dos Anjos, dia que a Santa Madre Igreja salvou de ir para o “limbo” dos feriados e dias santos, suspensos pelo governo do primeiro Passos, muito gostei de ler um artigo publicado no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, da autoria do meu querido Daniel de Sá. No dito artigo Daniel de Sá escreve sobre o “disfarce” de Carlos César na feira quinhentista para rematar que para divisa dos Açores preferia que fosse perpetuada a declaração de Vitorino Nemésio “A geografia, para nós, vale tanto como a história” em vez da frase de Ciprião de Figueiredo escrita ao rei de Espanha no tempo dos Filipes, “Nos Açores antes morrer livres do que em paz sujeitos”. Eu não sou mulher de grande apuro literário, mas prefiro a divisa -“Nos Açores antes morrer livres do que em paz sujeitos”-, porque ela encerra o grande objectivo de um povo que deve ser o de lutar sempre pela liberdade contra a opressão seja ela qual for. Já quanto à lamentação de Daniel sobre o roteiro cultural dos Açores dizendo que… “A apresentação pouco atraente nem sequer é o seu pior defeito”… e acrescentando que… “vários dos autores escreveram com ligeireza, sem cuidar de rever o que sabiam ou julgavam saber, ou desincumbindo-se da missão sem ir além de uma visão superficial do tema tratado”, e rematando depois que: “O Professor Machado Pires não merecia o que fizeram com o seu sonho de um roteiro cultural açoriano” estou com ele de corpo e alma. Apesar de não ter posto o olho em cima do dito roteiro, mas fazendo fé na abalizada opinião do meu querido Daniel de Sá, fico para Deus me levar com semelhante denúncia. Que sirva de emenda a quem tem a responsabilidade de escolher e pagar aos senhores que escrevem sobre cultura Açoreana, para não caírem duas vezes no mesmo erro… Para se escrever sobre os Açores é preciso conhece-los, amá-los e servi-los em vez de se servirem…. E não digo mais nada…
Meus queridos! O “Atlântida”, para além do peso que tem no lastro e que não o deixa dar a velocidade contratada, tornou-se um peso pesado na luta política entre o rectângulo e os Açores. E o pior é que ninguém está isento de culpas nesta grande embrulhada… A Região que pediu alterações que alteraram o peso do barco, tornando-o mais lento, os estaleiros que deviam ter alertado isso, por escrito, e pedindo a alteração do limite máximo de velocidade, a fiscalização que tudo deixou passar e os estudiosos que até à Rússia foram para ver como se fazia um barco… Agora todos atiram culpas e fogem com o rabo à seringa. Mas o engraçado é que os mesmos que falam de boca cheia foram aqueles que estiveram calados como ratos enquanto Sócrates andou a empatar o assunto com uma venda fantasma do barquinho ao camarada Chaves da Venezuela… Nem ele o quis! E querem que seja o governo seguinte a ficar com o menino ao colo… Que mar bravo este! Mas já que estou a falar do assunto, sempre gostava de saber quais são os segredos deste malfadado negócio que agora alguns dizem que deviam ser publicitados para que o Zé povinho ficasse a saber o que se esconde no casco do dito navio que ficou à deriva … Só não sei porque é que semelhante segredo não veio a público quando o assunto foi descascado na Assembleia Regional e quando os meus ricos deputados se cansaram de pedir explicações …. e o governo fez ouvidos de mercador…
Ricos! E como estou a falar de coisas do mar e de areia para os olhos, nem imaginam como fiquei quando soube que, depois de inaugurado com pompa e circunstância, com direito a abertura excepcional da RTP/A para a transmissão, o novo terminal de passageiros da Horta vai para obras de dragagem de areias, no valor de 3,5 milhões de euros, para lá poder entrar mais algum navio para além dos de escala doméstica. E a desculpa é que o Tribunal de Contas não deu o Visto mais cedo para arrancar as obras. E se calhar foram os mesmos juízes que ordenaram a inauguração encostadinha às eleições… E o pior, diz a minha prima Maria dos Flamengos, é que só agora vão estudar se o porto vai precisar de muitas ou poucas dragagens! Para além de todas as derrapagens e alterações ainda vem mais esta… Temos cá uma sorte com portos e barcos!
Meus queridos! Como diz a minha prima Maria da Vila, noite de festa branca para uns foi noite em branco para outros. Noite negra, para dizer a verdade. O barulho foi de tal ordem que se ouviu a quilómetros de distância, até a Ponta Garça. Sem lei, sem autoridade, ou melhor, com a lei e autoridade coniventes com aquela pouca vergonha. Tristes dos doentes, dos idosos e das crianças. A minha prima Maria da Vila diz que há anos, por muito menos barulho, a Câmara do então presidente Rui Melo reuniu para analisar o assunto e ali mesmo decidiu levar o evento para o mato, para perto da Lagoa do Congro, mas as pragas voltam sempre ao local de origem. Estamos bem entregues… na velha capital parece que não há uma sem pitafe. E já nem falo na repulsa de quem viu sair os piquenos e piquenas às seis da manhã… nem comento!
Ricos! Li há dias que a Câmara da mui nobre e sempre leal cidade de Angra vai resolver o problema dos milhares de pombas que estão a dar cabo dos jardins e do património arquitectónico, esgravatando e comendo as plantas e… sujando em tudo quanto é sítio. Não, não vão matar os pobres bichinhos. Vão é dar às pombas milho impregnado de uma inofensiva droga que faz com que não se reproduzam… Parece que é isso que usam em Veneza e noutras cidades. Se a moda pega, bastante necessidade há para os lados do Campo de São Francisco… e noutras zonas de São Miguel devastadas pela praga de pombas sem dono ou sem dona…
Meus queridos! Esta eu li numa rede social e mostra como é possível ser esperto nos tempos que correm. Numa superfície comercial, há um determinado serviço que custa doze euros… Como muita gente pagava com o cartão, e para fugir à taxa do dito cujo… a administração do dito espaço resolveu que pagamentos com cartão só a partir de 12,5 euros! Ou a pessoa paga, ou vai levantar dinheiro noutro lado para ter o pilim no bolso… Isso só visto! Nem num filme de cinema!
Ricos! Esta semana lembrei-me de uma frase que andou muito na moda durante uns tempos: “que bom é ser Açoriano”! E sabem porquê? Porque no TOP 5 das cidades mundialmente melhores estão três cidades canadianas: Toronto, Calgary e Vancouver, onde vivem 350 mil açorianos e descendentes, no Canadá. A minha prima da Rua do Poço disse logo: que bom é ser açoriano, quando se vive em cidades como aquelas, com nomes de ruas portugueses, “estoas” onde se fala a nossa língua e se vendem os nossos produtos made in Canadá… Por cá criam-se cidades! Noutros lados vive-se em cidades!
Meus queridos! Li há dias no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, a enorme lista de mudanças de padres para o mês de Setembro, em todas as ilhas, algumas das quais são mais do mesmo e pouco mudam. Pegou de galho a moda dos padres in solidum que estão a descaracterizar e a fazer perder a identidade das paróquias… Nunca se sabe quem vem rezar missa, nem a que horas se pode falar com um deles, nem quem faz o funeral ou o baptizado… Já disse e repito que não se pode querer gente nas igrejas quando os padres são os últimos a entrar…. rezam missa e são os primeiros a sair. É preciso calma, é preciso um padre que esteja com os seus, que tenha tempo para ouvir e sentir os verdadeiros problemas das pessoas, Ou querem, ricos, que os padres conheçam os problemas das pessoas através dos manifestos eleitorais? Se calhar! Olhem! Por cá, só numa lista de apoio a um dos concorrentes a Outubro há a assinatura de sete padres! Para isso não falta tempo!
Meus queridos! Neste tempo de eleições multiplicam-se as assinaturas de contratos e projectos. Já não é de hoje e lembro-me de há anos, não muitos terem assinado um projecto de uma fábrica de tratamento de peixe, com milhões de investimento e que nunca passou do papel mas foi tema de propaganda eleitoral. Agora são as energias renováveis na Graciosa e no Corvo. Só para a Graciosa são 25 milhões para tornar menos poluente o equivalente a 2% da energia que se consome na Região. Se multiplicar estes milhões todos, já viram o que dá? No entanto eu digo que vale a pena apostar nas renováveis e tenho de dizer que aqueles que agora tanto se empenham nisso são os mesmos que tanto falaram mal da geotermia. Nada se vinga como o tempo e nada paga como a língua!
Ricos! Há dias, aproveitando as longas tardes de Verão, fui visitar a minha vizinha, Maria José. Encontrei-a pior que nem uma “barata”, porque ela tinha ido marcar uma consulta para o seu médico de família e a pobre só tem vaga para daqui a uns meses. “Era o que faltava” – dizia ela. Se a do Amparo, que não tem médico de família, conseguiu uma consulta para o dia seguinte… porque é que eu que estou nos conformes sou chutada lá para as calendas? Afinal é uma treta essa coisa do médico de família, porque pelos vistos mais vale ter um bom padrinho!...




