Director: Américo Natalino de Viveiros Director Adjunto: Santos Narciso
Escolha a cor do seu tema: Skin Vermelha Skin Verde Clara Skin Azul Skin Azul Bébé Skin Amarela

Gráfica Açoreana   Diario dos Açores   Atlantico Expresso   Associanissima

Arquivos
A A A

Ana Beatriz Barros : “Fora da moda não me sinto nada sexy”

07 Março 2008 [Sociedade]

Aos 13 anos, e já com 1,80 metros de altura, foi descoberta na praia por um olheiro e hoje é considerada a 9.ª top model mais bela do Mundo. Até os soldados norte-americanos no Iraque elegeram a beleza desta brasileira, que tem sangue português e diz que tem quase tudo na vida, só lhe falta a maternidade.

Como é que começou a sua carreira?
- Estava na praia, no Rio de Janeiro, com a minha irmã, quando passou um olheiro e me disse que tinha de ser modelo. Convenceu-me, entrei no concurso Elite Model Look, em 1996, onde venci no Brasil e fiquei em 2.º lugar a nível mundial. Assinei contrato com a Elite e, mais tarde, fui para Nova Iorque.
Não acha que começou muito cedo?
- Para ser sincera, acho. Mas na moda, quando uma modelo entra a sério muito dificilmente volta a sair. Se pudesse voltar atrás, começaria aos 17 ou 18 anos. Não me prejudicou, mas sei que não tive muito tempo para gozar a adolescência, para fazer certo tipo de coisas e estar com os amigos.
Perdeu a sua juventude?
- De certo modo sim. Mas o ponto importante nem está aí. É impossível aos 13 anos uma rapariga ter cabeça para o mundo da moda e sentir-se uma sex symbol. É fundamental que as pessoas tenham tempo para crescer.
Os seus pais viram com bons olhos a entrada na moda?
- O meu pai no início era contra. Naquela altura a moda não era popular no Brasil. É que existem dois momentos, um antes e outro depois da Gisele Bündchen. Antes a conotação não era a melhor, por isso ele não queria que eu fosse modelo.
Imaginava-se neste mundo?
- Nem pensar. Quando assinei o contrato disse que ia ficar três anos na moda. Se corressem mal saía e voltava aos estudos. Naquela altura não precisava da moda para viver, pois tinha a família. Mas tudo correu na perfeição e aqui estou eu.
Quais eram os objectivos que tinha de carreira?
- Queria ser médica ou veterinária, mas ainda bem que fui para a moda, pois hoje sinto que não tinha qualquer vocação para essas profissões. Assim que vejo sangue fico logo mal-disposta.
Treze anos depois, como é ser uma das top models mais conceituadas do Mundo?
- É excelente. Sinto-me lisonjeada. Sempre foi uma profissão que levei bastante a sério, daí estar feliz por ter alcançado tudo isto. Não existe um perfil definido para que uma rapariga se torne modelo de top, pois depende também da sorte, trabalho e perseverança.
Há muitas modelos que não conseguem vingar na moda. O que tem a Ana de diferente?                                                                                               - Sempre soube o que queria na moda e na minha vida pessoal. Quis alcançar o topo, dei o máximo, mas o factor sorte é importante. Não basta ser bonita, alta, magra, pois existem milhões de raparigas com esse perfil. Também é preciso ser responsável, por exemplo nunca deixei a carreira por causa de um namorado, por estar cansada de viajar ou por estar longe da família. Sempre fui muito disciplinada.
A fama não a assusta?
- Ao início incomodava-me muito, ficava chateada quando as pessoas queriam tirar fotografias comigo, pedir autógrafos. Sei que perdi a minha privacidade, no Brasil todos me conhecem, mas agora estou mais habituada. Já não há retorno possível, sei que faz parte do trabalho.
Por que foi morar para Nova Iorque?
- É a capital da moda. Os melhores fotógrafos e editores de moda moram lá.
É também um mundo que vive da imagem, do espectáculo. Isso pesou na sua decisão?
- Não. Nunca quis ser actriz, mas ultimamente tenho recebido convites para fazer cinema. A produtora do filme Cidade de Deus entrou em contacto comigo e decidi fazer um filme. Não quero que me vejam como mais uma modelo que decidiu ser actriz. Vai ser um desafio e vou dar o meu melhor e espero que tudo corra bem.
A Jennifer Lopez convidou-a para ser a imagem da marca dela...
- Fiquei bastante satisfeita com isso. É sinal que já não sou apenas reconhecida na moda. Isso é fundamental.
Já é famosa nos EUA, onde tem um clube de fãs.
- Meu Deus, fico tão envergonhada. Sempre que chego a Los Angeles estão 40 rapazes no aeroporto. São só homens (risos). Nem sei bem como reagir.
Qual é o seu maior sonho?
- Casar e ter filhos. Sou apaixonada por crianças. Neste momento não posso ser mãe, pois isso afectaria a carreira. Mas daqui a cinco anos vou pensar melhor nisso e quero ter quatro filhos (risos). Neste momento a minha vida é louca, pelo que preciso de acalmar.
Tem namorado?
- Sim, mas não quero contar pormenores da minha relação. Só posso dizer que já namoramos há muito tempo e que ele é brasileiro.
Como surgiu a paixão pela arte?
- Sempre gostei. A primeira vez que fui a Paris fui morar perto do Museu do Picasso. Depois namorei com o dono de uma galeria, pelo que aprendi muita coisa. Sou péssima a pintar, mas vou fazer um curso.
Não acha que se paga muito dinheiro a algumas modelos?
- É uma profissão bem paga, mas onde se trabalha imenso. Não temos casa, moramos num avião e é difícil ter uma relação.
Quanto ganha por desfile e por ano?
- Não falo de dinheiro.
Como é ser votada a modelo mais bonita do Mundo pelos soldados norte-americanos no Iraque?
- (Risos). Eu nem sei como me conheciam, pois sou brasileira, mas fiquei a saber que me viam no canal Fashion TV. Depois, fizeram uma votação e venci. Enviaram uma carta à minha agente, cheguei a pensar ir lá, mas tive algum medo.
E também foi eleita, já este ano, a 9.ª top model mais sexy...
- Sinto-me lisonjeada. É excelente para o ego estar entre as mais belas.
Acha-se sexy?
- Fora da moda não me acho sexy, sou uma rapariga normal, igual a tantas outras. Só acho isso quando estou a ser fotografada.
Uma vez disse que a moda é sexo, drogas e rock n roll...
- Isso existe em todas as profissões, mas na moda o acesso é fácil. Se eu quiser ir à melhor festa do mundo, falo com umas pessoas e vou. É bastante fácil conseguir coisas negativas.
O que conhece da moda em Portugal?
- Pouco. Há oito anos fiz o Portugal Fashion, mas não me lembro para quem.
Como é a sua relação com a comida?
- Felizmente, posso comer de tudo. Apenas faço ginásio, pois preocupo-me com a saúde, mas nunca tive problemas com peso. Na família somos todos magrinhos.
E o que acha da comida portuguesa?
- Amo bacalhau. A minha mãe dizia-me sempre para comer em Portugal, pois é o melhor do Mundo. Ela faz um no forno com batata e pimentão maravilhoso.
Que significa para si ter sangue português?
- Faz com que tenha um carinho especial por Portugal. Acho que o meu tetravô era português, mas também tenho sangue italiano e espanhol. Os brasileiros são uma grande mistura, o que torna o meu povo único. É por isso que existem muitas mulheres bonitas no Brasil.

 

Autor: CM

Versão de Impressão